MARLENE NARRANDO // MÃE DA ISABELA NARRANDO Tem dias que eu acordo e juro que ainda escuto a Isabela chamando lá da cozinha: “Mainhaaa, cadê meu uniforme? Eu vou perder o ônibus!” Mas quando eu abro os olhos, lembro: ela não mora mais aqui. A cama dela continua arrumadinha, com a colcha rosa que a gente comprou juntinhas no camelô, o ventilador parado no canto porque “mainha, eu detesto barulho na hora de dormir”. E a saudade… ah, essa não falta nunca. Essa dorme e acorda comigo. Eu moro em Vicente de Mauá desde menina. A mesma rua, a mesma pracinha, a mesma vizinhança que sabe da minha vida inteira — inclusive das partes que eu nunca contei sorrindo. A Isabela cresceu ouvindo só a minha versão leve da história. Mas eu lembro de tudo. Eu lembro do dia que eu descobri que tava grávida

