ISABELA NARRANDO Entrei no shopping respirando fundo, tentando lembrar que aquilo tudo agora fazia parte da minha vida — mesmo que, às vezes, ainda parecesse irreal. A loja que o Davi mandou eu ir era daquelas que a gente sente o preço antes mesmo de olhar a etiqueta. Fachada toda de vidro, iluminação perfeita, manequins com vestidos que pareciam obras de arte, não roupa. Segurança discreta na porta, vendedoras impecáveis, tudo muito silencioso e elegante. Assim que pisei lá dentro, uma delas veio sorrindo. — Boa tarde, senhora Montezano. Ainda me dá um friozinho ouvir isso. — Boa tarde — respondi, tentando parecer mais confiante do que eu me sentia. Expliquei o que eu queria: um vestido pra um jantar importante, algo marcante, elegante, mas que tivesse a minha cara. Nada engessado

