LUCIANA NARRANDO Acordei sozinha. Sozinha naquela cama enorme que sempre foi minha — minha casa, meu lugar, meu casamento. E o lado dele vazio era um tapa na cara logo cedo. Isso é um absurdo. Levantei já irritada, andando de um lado pro outro da suíte, o robe arrastando no chão, a cabeça fervendo. Joseph nunca dormiu fora sem avisar. Nunca. Isso não é um detalhe, isso é uma afronta. Uma desavença clara. Uma mensagem. — O que você tá querendo com isso, Joseph? — falei alto, pra ninguém. Abri as cortinas com força, o sol entrando como se tivesse a audácia de existir naquele momento. Fui direto pro celular. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação perdida. Liguei. Caixa postal. — Claro… — murmurei, fechando os olhos com raiva. — Celular desligado. Muito conveniente. Andei mais um pouco pel

