ISABELA NARRANDO Eu acordei antes do meu cérebro decidir que era hora de existir. Não abri os olhos de cara, fiquei só ali, sentindo o cheiro do quarto de hotel, do lençol macio, do perfume do Davi grudado no travesseiro. Meu corpo ainda tava mole da noite anterior, eu encaixadinha do lado dele, com a mão jogada em cima da barriga dele, sem força pra nada. Aí eu ouvi. A voz dele, baixa, meio rindo, falando ao telefone: — Maman, Isabella est enceinte. Je vais être père. Eu posso não falar francês, mas “Isabella” e “père” eu entendi muito bem. E o jeito que ele falou… deu pra entender o resto sem precisar de tradução. Eu virei o rosto devagar, mantive os olhos quase fechados, fingindo que ainda tava dormindo, mas por dentro eu tava… sei lá. Derretendo. Ele tava feliz. Feliz de um jeit

