ISABELA NARRANDO Quando eu subi pro quarto dele, já vinha rindo sozinha ainda meio leve, ainda meio aérea, ainda meio flutuando naquele dia completamente maluco. Mas assim que eu abri a porta, ele virou o rosto pra mim com aquela cara de mau humor clássico, aquela sobrancelha arqueada que só ele tem, e soltou: — Nossa… lembrou que eu existo? Eu arregalei os olhos, quase gargalhei. — Lembrei não, né? LEMBREI É MUITO! — falei entrando. — Eu subi QUATRO vezes aqui e você tava roncando igual um trator diesel desgovernado. TODAS as quatro. Ele estreitou os olhos, indignado: — Eu não ronco. — Ah não? — cruzei os braços. — Então tem um urso morando nesse quarto e ninguém me avisou. Ele virou o rosto, mas eu vi o canto da boca subir. Fingindo que não achou graça. Mas achou. — Agora que ac

