Capítulo 2

974 Words
E ele a quis rápido demais. Quis ir fundo demais, ignorando as diferenças gritantes deles. Quis como não queria ninguém há anos. E, pior, quis agora, sem esperar, sem analisar, sem pesar riscos. Ele só queria fugir do tédio, dos gatilhos emocionais. Dominic se aproximou, com a voz calma que parecia deslizar pela pele dela. — Vamos embora. Comemorar que nos conhecemos! Falou apenas isso, sem nenhuma pergunta. Martina aceitou com um aceno simples, quase elegante demais para alguém com tão pouco. Mas ali estava o segredo: ela sabia executar performances. Sabia entrar em papéis. Sabia parecer a mulher que um homem como Dominic escolheria. Ela apenas não sabia que, naquela noite, Dominic não queria parecer nada, ele só queria sentir. E assim, sob o barulho abafado dos graves, ela o seguiu, de mãos dadas. Ele pegou o carro e enquanto dirigia, conversaram sobre coisas variadas, ela era muito alto astral, e ele estava esquecendo um pouco até de si. Foram para um hotel, de luxo, enquanto entravam, o som dos saltos ecoou no mármore, numa postura quase insolente, enquanto ele caminhava à frente, carregando consigo a certeza de que estava levando para o quarto não apenas uma mulher, mas uma ruína possível. Ela ria e admirava o lugar, lindo e diferente de todos, que ela já havia ido. A porta da suíte se fechou atrás deles, tão sutil que só aumentou o silêncio carregado que se instalou entre os dois. Era como se a cidade inteira, lá fora, tivesse desaparecido de repente, deixando apenas aquele quarto absurdamente luxuoso, onde tudo brilhava demais. Dominic passou pelo espaço como se fosse parte do hotel inteiro e era, de fato, acostumado com ambientes assim, onde o luxo não servia para impressionar, mas para lembrá-lo de quem ele era. ​Martina, por sua vez, entrou como alguém que acabou de chegar ao paraíso e sabia que não poderia demonstrar deslumbramento… mas falhou miseravelmente assim que viu a banheira de hidromassagem. Era enorme, branca, decorada como as que ela só tinha visto em vídeos de viagens. Ela prendeu a respiração, com a mão indo instintivamente para o peito, com o brilho no olhar entregando sua origem. — Uau, que cheiro gostoso. — Meu Deus… O gelo nem derreteu ainda. — escapou num deslumbre que ela não conseguiu conter, olhando o balde com as bebidas. ​Dominic a observou com aquele sorriso quase imperceptível, o sorriso de um homem que conseguia ver além das máscaras, além da postura treinada, além da maquiagem cara. Ele via a verdade: uma garota que veio do pouco, que fingia grandeza, mas que ainda se encantava com o que era novo. Isso o divertiu. Aquilo era humano. E Dominic, que já não encontrava humanidade em lugar nenhum, achou aquilo… interessante. ​Ele largou as chaves, os objetos pessoais na mesa, abriu a camisa com calma, como se o mundo inteiro precisasse acompanhar o ritmo que ele ditava e disse em um tom que a fez ficar atenta, para a encenação: ​— Não se apaixone pela banheira. Ainda tem mais coisas chegando. — Está com fome? Eu pedi frutas. ​Ela sorriu, tímida por um segundo, antes de recuperar o ar de mulher que sabia o que queria. — Não estou. — Você sempre traz mulheres aqui? — perguntou, tentando transformar a insegurança em ironia. ​Dominic aproximou-se devagar, tão devagar que Martina sentiu o corpo inteiro reagindo antes mesmo de ele tocá-la. — Não — respondeu simplesmente, deixando a palavra cair no ar como um segredo. Ela disse que não acreditava, ele respondeu a acariciando nos braços. — Mais você perguntou se eu trago as mulheres. Perguntou se trago. E eu não trago. Elas vem sozinhas. ​Martina ficou desconcertada, curiosa. — Entendi. Ele percebeu, que ela pensou algo, que não queria falar. — Quer encher a banheira? Ele sempre percebia, tudo. Ela se afastou sutilmente, e falou séria. — Eu não faço programa, só pra deixar claro. É que você disse, que elas sempre vem sozinhas, até você. ​Sem tirar os olhos dela, Dominic pegou o vinho, encheu duas taças. — Ótimo. Não achei que fosse. Voltou-se para ela, com a expressão séria, o olhar escuro, tão fundo que parecia enxergar pensamentos que ela ainda nem tinha formulado. ​— Entre na banheira. — ordenou, com a naturalidade de quem não está pedindo, mas afirmando o próximo passo de algo inevitável. ​Martina sentiu a barriga gelar, não de medo, mas daquele tipo de antecipação que excita, que desce quente pela pele, que avisa o corpo de que algo grande está prestes a acontecer. Ela pegou uma taça, caminhou até a banheira como se estivesse flutuando, com os cachos loiros balançando nas costas, o vestido vermelho colado ao quadril de um jeito quase indecente. E antes mesmo que Dominic pudesse repetir a ordem, ela virou-se para ele, soltou o zíper do vestido e deixou o tecido despencar, deslizando ao redor dos pés dela. ​Dominic congelou, quase salivando por ela. ​Era raro ele perder a compostura, mas aconteceu. ​O corpo dela era lindo, bem cuidado, cheio de curvas que contrastavam com a juventude dos 19 anos. A calcinha preta de renda era pequena demais, reveladora demais, feita exatamente para provocar. E provocou. Tudo ali parecia ter sido desenhado para testar ele, e Martina sabia. ​Ela colocou para encher e o olhou com um sorriso saffado, logo entrou na água. Ela apoiou os braços na borda, jogou o cabelo para trás e o encarou com aquele sorriso atrevido, insolente, delicioso. ​— Você vem? — perguntou, como quem diz: eu sei o efeito que causei e não vou fingir que não sei. ​Dominic estava colocando música, tirou a camisa com um gesto lento, quase c***l, como se estivesse deliberadamente aumentando a tortura. — Vou, é claro meu bem.
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