Feijao narrando Depois daquele banho de banheira, gostosão mesmo, como há trinta anos eu não tomava, eu me senti renascendo. A água quente batendo no corpo, aliviando os músculos, a espuma escorrendo enquanto eu encostava a nuca e fechava os olhos, respirando fundo como quem volta a ter nome, identidade, liberdade. Quando a água esfriou, eu me levantei sem pressa, vesti uma bermuda qualquer, sem camisa, sem chinelo, desci descalço mesmo. O chão gelado nos pés parecia um lembrete de que eu tava vivo, e que agora, eu tava em casa. Na cozinha, as panelas ainda estavam todas em cima do fogão, comida fresquinha, vapor subindo, cheiro que parecia abraçar. Só esquentei, servi um prato e me sentei a mesa. Na primeira garfada, eu parei. Fechei os olhos. Mastiguei devagar. O gosto invadiu a minh

