Eu tremia. De raiva, de ódio, de nojo. Mas meus golpes eram certos, controlados, porque eu não tava fazendo isso no impulso. Eu tava fazendo porque precisava. Porque esse era o meu perdão: a surra. O sangue dela escorria pelo canto da boca e pingava no chão de cimento. Mas aquilo não me bastava. Não bastava ver ela caída. Eu queria ver ela quebrada. — Levanta, Jéssica! VAMOS, p***a, LEVANTA! Ela gemia, cuspia sangue, chorava, mas não obedecia. Tava mole. Mole de medo, mole de dor. Então eu catei ela de novo. Mão no cabelo. Puxei com tanta força que a cabeça dela veio junto, o corpo arrastando. Os joelhos ralando no cimento áspero, deixando um rastro de sangue, de vergonha, de desgraça. — Olha pra mim! — gritei, com o rosto colado no dela. — Tu não vai desmaiar sem escutar cada pala

