Ela tentou falar alguma coisa. A boca se mexeu, mas não saiu som. Eu levantei a mão, como se bastasse esse gesto pra calar. E bastava. — Não fala. Nem tenta. Tu não merece o direito de se explicar. Tu teve esse direito quando fugiu. Quando escolheu o mundo ao invés da tua filha. Quando deixou a p***a de uma bebê no hospital, cheia de fio, de máquina, de dor, e virou as costas. Não tem mais o que tu possa dizer. E sabe por quê? Me aproximei um pouco mais, até sentir a respiração falha dela encostar na minha pele. Olhei no fundo dos olhos dela e soltei, sem tremer, sem hesitar: — Porque essa vai ser a última vez que eu olho pra tua cara. A última. A próxima vez que tu cruzar meu caminho… tu pra mim morreu em todos os sentidos no dia que a minha filha saiu de cirurgia e você foi embora, e

