Aquela era a hora. — Você quer uma boa notícia? Uma notícia maravilhosa? — perguntei sorrindo. Ele me olhou com os olhos ainda cheios d’água, confuso, tentando entender. — Vamos poder trazer a Sophia pro morro. Bora buscar a nossa pequena? Ele não respondeu. Caiu de joelhos no chão. Agarrou minha cintura de novo, dessa vez não pela dor, mas pelo alívio. Pelo fim de uma guerra. Pelo recomeço. Eu não consegui conter as lágrimas. Quando a Dona Vera me ligou e eu precisei sair da cena da tortura, era pra dizer isso: que a médica liberou a vinda da Sofia. Não pra casa ainda, mas pro nosso espaço, pro nosso mundo, pro nosso ninho. A gente podia ficar perto. A gente podia cuidar de verdade. E dessa vez… com tudo em paz. Ele tremia no meu abraço, e eu sentia a alma dele se acalmando.

