Aquela mulher não fazia ideia do que tinha feito com ele. E o pior: fez sabendo. Fez por querer. Fez com prazer. Ela ligou só pra isso. Pra machucar. Pra puxar uma cicatriz ainda aberta e arranhar com as unhas sujas da crueldade que ela sempre usou contra ele. Fiz minhas higienes rápido, em silêncio absoluto. Me arrumei, prendi o cabelo e desci pra cozinha. E mesmo com o peito cheio de revolta, preparei um café da manhã daqueles que aquecem até a alma. Pão fresquinho, frutas cortadas, bolo quente, café passado na hora, suco de laranja, até panqueca com mel eu fiz, do jeito que ele gosta. Arrumei a mesa com calma, com carinho, como se cada detalhe fosse um remendo naquele coração ferido. Enquanto organizava tudo, comecei a escrever um bilhete pra ele. Palavras simples, mas verdadeiras. Qu

