Ela praticamente me entregou meu cronograma semanal ali mesmo. Sem me perguntar se eu concordava. Decidiu, impôs, como se soubesse exatamente do que eu precisava antes mesmo de eu abrir a boca. — E quanto você cobra pra limpar a casa? Ela se virou, agora me olhando com um sorriso debochado. — Meu amor, eu sou cozinheira. Não sou faxineira. Meu tempo já é apertado demais. Eu vim aqui porque o meu genro implorou. Mas se é pra contratar gente pra limpar, tenho certeza que não vai faltar mulher querendo. Só que eu, sinceramente, não abro mão dos meus meninos. E muito menos da minha rotina. Eu vim pra cozinhar. E só. Fiquei em silêncio. Só observando. Cada curva, cada movimento, cada rebolar sutil. O cabelo preso de qualquer jeito, o pano jogado no ombro, o avental sujo de farinha, o som do

