— Vocês dois são meu maior presente, eu digo emocionada, com a voz embargada, olhando dos olhos da Sophia pros olhos do Davi. — Não chora não, mamãe. A gente preparou tudo pra você ficar feliz, não triste. — Sophia fala com a maior seriedade do mundo, e eu sorrio entre as lágrimas. — É de alegria, meu amor. Só alegria. Eles se sentam comigo na cama. O Urso me serve o café, a Sophia segura minha mão o tempo todo. E por um instante, o mundo lá fora deixa de existir. A guerra, o sangue, o Robson, os Borgell, os riscos, tudo isso se dissolve. E só sobra esse momento nosso. Puro. Real. Impossível de ser tirado de mim. Hoje é o dia da inauguração da minha sala. Mas mais do que isso: hoje é o dia em que eu percebo que a mulher que eu me tornei é muito maior do que qualquer dor que eu já passe

