A cidade ainda acordava quando entrei pelo acesso lateral do Alemão, aquele que quase ninguém conhece, aquele que só eu e os meus passamos. Desviei das rotas comuns, evitei olhares desnecessários. Esse tipo de acerto não se faz na rua, nem na frente de curioso. Isso se faz no alto do morro. No coração da minha guerra. Onde acontecem as torturas mais sinistras. Onde cada parede tem cicatriz, cada corrente tem história, e cada grito ecoa por semanas nos becos vizinhos. Subi devagar, cruzando as vielas estreitas, observando cada detalhe da favela como quem tá em casa — porque eu tô. Os moleques que guardavam as entradas do alto só me deram espaço, ninguém ousou perguntar nada. Só baixaram o olhar. Eles já sabiam. Quando eu subo assim… é porque alguém vai descer em pedaço. Estacionei o ca

