Debora narrando Eu não lembro da última vez que me senti assim. Desprotegida. Inútil. A dor atravessava meu peito como uma faca sendo empurrada devagar, dilacerando a carne, rasgando tudo por dentro. Era um grito preso, um urro sufocado. Minha filha… Minha filha nas mãos daqueles monstros. A imagem da Lavínia, apavorada, nos braços de um homem que eu nem conhecia, me assombrava. E o pior era ver o Tigre ali, rindo da situação. Como se não fosse nada. Como se aquilo não fosse a filha dele. Como se ela fosse um objeto, uma ferramenta, uma moeda de troca. Um troféu sujo no meio de uma guerra baixa. Eu não conseguia parar de tremer. De chorar. De gritar. — Calma, calma… Eu tô aqui, Débora. Eu tô com você — o Felipe me apertava com força, me abraçava como se quisesse me proteger de tudo que

