Capítulo 83

1303 Words

Urso narrando Eu não posso negar teve um certo sabor hilário assistir de camarote o show que o velho Gurgel deu. O moralista, o tradicionalista, o canalha escroto que só fala com o peito estufado e o preconceito escorrendo pelos cantos da boca. Quando abri a porta discretamente e vi ele saindo como um touro cego, seguido pelos capangas, e arrastando o garoto que tava com ele pelo braço, como se fosse lixo, eu só encostei na parede e esperei. Esperei eles passarem e fui com calma até o quarto ao lado. Sabia que o palco tava montado. Agora era a minha vez de encenar. Entrei no quarto como quem entra em casa. A porta nem chegou a ranger, porque eu segurei firme e empurrei com o ombro, devagar. O ar ali tava carregado. Cheiro de vergonha, de humilhação, de medo. O tal do Robson tava jogado

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