Minha mão congelou com o garfo no meio do caminho. Pisquei devagar, mantive a postura, mas a resposta veio automática. — Você tem esse costume de falar tudo o que pensa? — Só quando eu quero muito. — ele disse sem sorrir, me olhando como se minhas roupas fossem um detalhe. O calor subiu pelo meu pescoço até alcançar o rosto. Respirei fundo, meti o garfo na boca e deixei o sabor suave do risoto me ajudar a pensar. A verdade é que ele me deixava sem defesa. Com qualquer outro homem, eu já teria dado um corte. Mas com ele… era diferente. Porque ele não tentava me diminuir. Ele não fazia elogios vazios. Ele apenas deixava claro o que queria. E isso me deixava em chamas. — E você sempre consegue o que quer, Urso? — perguntei com ironia, secando o canto da boca com o guardanapo. — Sempre.

