Debora narrando De tudo o que passou pela minha cabeça antes de subir aquele morro, de tudo que eu projetei, ensaiei e me preparei pra enfrentar, confesso que nada — absolutamente nada — me preparou pro que eu vi quando cheguei ali. Um homem. Mas não qualquer homem. O homem. Aquele que todo mundo fala em voz baixa. Aquele que comanda sem levantar o tom. Aquele que até o Tigre respeitava. O Feijão. Ali, na minha frente. Depois de anos e anos preso. Depois de tanto tempo sendo só lenda, só nome soprado no ouvido. Agora era carne, osso e olhar direto. Eu travei. Não por medo. Mas porque, de todas as possibilidades que imaginei quando meti a cara no Complexo do Alemão, essa era a única que eu não cogitei. Foi um baque. Frio no estômago. As pernas fraquejaram por um segundo. Mas passou. Por

