Luana narrando Eu nunca imaginei que esse dia chegaria. Que eu deixaria ele chegar tão perto outra vez. Mas ali, no silêncio abafado da minha sala, com aquela luz fraca que entrava pela janela meio aberta, eu cedi. Eu chorei. Eu me permiti desmoronar nos braços do único homem que, apesar de tudo, ainda tinha a capacidade de atravessar todas as defesas que eu construí com tanto sacrifício. O cheiro dele me invadiu primeiro — aquele cheiro que ficou gravado em mim como uma tatuagem antiga. Seus braços me envolveram, me apertaram contra o peito largo, e eu chorei. Sem vergonha, sem orgulho. Chorei pelo passado, pelo presente, pelas feridas que eu finjo não sentir mais, mas que latejam cada vez que eu me lembro de tudo o que perdemos. Senti suas mãos deslizando pelas minhas costas, num ca

