Urso narrando Quantas vezes eu imaginei esse momento? Quantas vezes, desde aquele maldito dia em que ela me abandonou no hospital, recém-nascida, lutando pela vida, eu me peguei sonhando com a cena dela de joelhos na minha frente? Não por prazer. Não por revanche. Mas por justiça. Por tudo que ela arrancou de mim — da minha filha, da minha mãe, da nossa história. Agora ela estava ali. Toda fodida. Arrebentada. O corpo coberto de hematomas, o rosto inchado e irreconhecível, o sangue seco grudado nos cantos da boca, o braço pendendo com aquela madeira ainda enfiada, como um lembrete grotesco do que já tinha começado. Nicole fez o que muita gente sonhava, mas o que vinha agora era meu. Era pessoal. Era o encerramento de um ciclo que me consumiu por dentro durante anos. E ela sabia disso.

