Jessica narrando — Aonde você vai? — perguntei com a voz embargada, sentada na beira da cama, ainda tentando recuperar o equilíbrio. A cabeça girava levemente, como se cada célula do meu corpo estivesse embebida de álcool, ressaca e dor. Ele já estava de saída outra vez. Nem olhou na minha cara. Passou por mim como se eu fosse nada. Como se eu não fosse a mulher que ele fodia há anos, que ele espancava nas madrugadas e beijava com desprezo nas manhãs seguintes. — Não te interessa. — ele respondeu seco, com o mesmo veneno de sempre na voz. Parou na porta, se virou e completou: — Desde quando eu te devo satisfações, p***a? Aquela frase bateu forte. Não era novidade, mas ainda doía. E doía ainda mais porque eu sabia que ele falava sério. Que pra ele, eu não era nada além de uma proprie

