Felipe narrando Deixamos a pequena com a Nicole e seguimos direto pra salinha. O Tigre, arrastado pelos homens, vinha murcho, fodido, mas ainda com aquele olhar desafiador. Típico dele. Mesmo rendido, mesmo todo estourado, ele tentava manter a pose de malandro, de fodão, como se ainda mandasse em alguma coisa. Mas hoje não era dia de fingimento. Hoje era o dia da queda. E ele sabia. Todos sabiam. O chão da salinha ecoava com os passos pesados dos aliados, e o clima era de velório. Mas não de luto. Era o velório da reputação dele, da imagem falsa que ele sustentou durante anos às custas do medo e da manipulação. Eu não esquecia. Não esquecia a época em que a favela tava prestes a ruir e ele desapareceu. Fui eu que segurei. Fui eu que enfrentei polícia, ameaça interna, traíra e fome. Fui

