Feijao narrando Nós ficamos ali quase que a madrugada toda. O café virou vinho, o peso da raiva foi virando desabafo e, no meio de um gole e outro, tudo começou a fazer mais sentido dentro da minha cabeça. Não que tenha aliviado, não que tenha curado… mas deu uma clareada. A Adriana me ouviu. Mas mais do que isso… ela me entendeu. Não interrompeu, não tentou passar pano, nem mudar o assunto. Ela só… esteve ali. E com o tempo, começou a falar também. Falou da Nicole, do quanto se fodeu pra criar a menina sozinha nesse mundo onde ser mulher já é difícil, e ser mãe solteira é mais ainda. Contou como subiu e desceu esse morro desesperada com a filha pequena no colo, sem ter com quem contar, sem ninguém pra segurar a barra com ela. — Eu nunca pedi nada pro pai da Nicole, Feijão. Nem um re

