Débora narrando Eu tava com o coração na boca desde a hora que o sol nasceu. Passei a madrugada rolando de um lado pro outro na cama, sem conseguir fechar os olhos nem por cinco minutos. A cabeça não parava, não dava trégua, parecia que ia explodir. Levantei cedo, botei minha filha na escola tentando manter a rotina, tentando respirar normal no meio da bagunça que virou minha vida. E antes mesmo de voltar pra casa, eu tentei mandar mensagem pro Felipe de novo. Nada. Nem visualizado. Nem sinal de fumaça. E aquilo doeu. Doeu como porrada no peito. Passei na boca pra ver se via ele, e pra ver a função do morro, até porque, na ausência do tigre eu posso me meter aqui, alguém tem que tocar isso aqui, e a herança da minha filha, e o futuro dela, e fora que eu sei que os chefes não falaria

