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1285 Words
Harry Vodmont __Esse é o portal?- pergunta Alex encarando o grande espelho. __Onde estavas nas aulas dos portais?- pergunto e ele da de ombros__Chegaste de decorar o mapa? Nós seres sobrenaturais, temos nossas próprias escolas onde nos ensinam tudo sobre o mundo sobrenatural. Claro que tem aquelas famílias que preferem viver e estudar entre humanos. Mais em nossas escolas nos ensinam sobre os Reinos, os diferentes tipos de seres, raças, povos e muito mais. Também ensinam onde fica cada portal e para onde cada um deles nos leva. Somos obrigados a decorar o mapa dos portais para que não nos percamos ou para não entrarmos em lugares indesejados. Parece que Alex saltou essas aulas. __Tinha coisas mais importantes para me preocupar- responde e me arrependo de ter perguntado. Alex não teve a melhor infância, para não dizer que ele teve a pior infância de toda a família. __Vamos terminar isso logo- digo e juntos atravessamos o portal. Saímos no sótão do museu da pequena cidade, o bom é que fica perto do lugar onde está a garota. Saímos do museu pela entrada lateral e logo estamos nas ruas, vou segundo Alex que tem uma memória fotográfica, com certeza já conhece toda a cidade só pelo mapa. __A última ligação foi feita aqui- diz parando em uma rua escura. __Aqui não tem esgotos- digo analisando ao redor e vejo algo quebrado no chão. Me aproximo e baixo, vejo os estilhaços do telefone perto tem algumas gotas de sangue. Toco o sangue com dois dos meus dedos levando até meu nariz e inspiro o cheiro. Sinto o cheiro mais forte perto daqui. __Ela está por aqui- digo a Alex me levantando__Parece que ela conseguiu se esconder. Caminho seguindo o cheiro de sangue e depois sinto o seu medo, ouço seu coração batendo rápido demais. Paro em frente aos sacos de lixo certo de que ela se encontra ali. __Viemos ajudar- digo e ela não responde. Retiro os sacos de lixo um por um sentindo seu medo aumentar, quando retiro o último ela salta para cima de mim tentando me atingir com algo. Caio no chão com ela em cima de mim, seguro sua mão antes que ela me acerte com o garfo. Garfo? Olho para a garota que está assustada demais, suja, mas corajosa. Pelo menos a garota tem coragem. Alex se aproxima e retira a garota de cima de mim. Ela tenta lutar mas Alex a segura forte. Me levanto olhando para a garota arrisca, parece uma leoa. __Eu sou o homem que falou contigo ao telefone- digo e isso parece a acalmar__O que aconteceu? Alex solta a mulher que já está mais calma, a observo bem e vejo que ela é jovem, deve ter uns dezoito anos. __Antes de explicar qualquer coisa, eu preciso ir para casa- diz me encarando__Preciso ver se realmente levaram minha mãe e preciso cuidar dos meus ferimentos. Vejo seu ombro sangrando e sua perna machucada. __Não temos muito tempo- digo chamando sua atenção. __Vocês precisam me ajudar- diz se aproximando de mim__Se mamãe me deu seu número deve ser por uma razão, por favor. Eu quero dizer que a chamada foi engano. Mas ver seus olhos marejados e sua súplica por ajuda acabou comigo, não tenho como negar isso. O olhar de Alex também me pede para a ajudar. __Tudo bem- digo e ela abre um pequeno sorriso__Consegues andar? __Não sou fraca, consigo sim- responde convencida. __Se dizes- resmunga Alex escondendo um sorriso. __Vamos, minha casa não é tão longe- diz começando a andar com dificuldade. Alex caminha ao meu lado se divertindo com a menina que se faz de forte. __Ela está cheia de dor e se esforçando para conseguir caminhar- comenta a observando__Essa teimosia me lembra alguém. Dou de ombros fazendo pouco caso e a seguimos por quarteirões. __Aquela é minha casa- aponta para a casa Branca que está do outro lado da rua de dois andares. Atravessamos a rua e a porta da casa está aberta, fico atento por isso mas não noto nada de estranho. __MÃE- grita por sua mãe entrando em casa__MÃE. __Não tem ninguém aqui- digo e ela corre escada acima gritando pela mãe agitada demais. A garota volta a descer chorando, suas pernas falham nos últimos degraus. Sou rápido e a seguro antes que ela caia. __Eles a levaram- sussura entre soluços__Eles levaram minha mãe. __Fica calma- digo a pegando no colo__Primeiro vamos cuidar dos seus ferimentos. __Eu devia ter obedecido- diz enquanto caminho com ela até o sofá__Ela me disse para não sair mas eu precisava me vingar antes de irmos embora. __Agora que aprendeste na próxima ouve sua mãe. Mães sempre tem razão- digo a colocando no sofá e ela resmunga. Me sento ao seu lado e corto meu pulso guiando até sua boca. __Tome- digo e ela me encara assustada__Se quiseres curar rápido. __Não sou uma vampira- diz irritada negando e solto um suspiro frustrado. __Eu também não sou teu amigo, mais vim aqui te ajudar- digo grosso e ela me encara magoada. __Não precisava ser tão grosso- rebate puxando meu pulso e chupando o sangue soltando logo em seguida__Feliz? __Não- digo e ela bufa. Criança! __Vou tomar um banho e depois vou atrás da minha mãe- diz e concordo. __Estaremos te esperando- digo e ela levanta e analisa seu ombro e sua perna já curada. __Nossa, curou rápido mesmo- diz deslumbrada__c*****o, até parece magia. __És pequena demais para falar palavrão- digo e ela me encara irritada. __E você jovem demais para fazer papel do meu pai- responde e sobe as escadas. __Garota atrevida- resmungo e ouço o riso de Alex. __A garota tem uma personalidade forte- comenta olhando uma foto__E a mãe é gata demais. Me aproximo dele e ele me entrega a foto. Cambaleio ao ser atacado pelos olhos castanhos selvagens que sempre me atormentaram, o sorriso é o mesmo. Seus cachos emoldurando seu rosto e ao seu lado está a garota com os mesmos olhos selvagens e o resto diferente. __Harry, o que está acontecendo?- pergunta Alex e eu não consigo desprender meu foco do retrato em minhas mãos__conheces a mulher? Se eu conheço? Sento no sofá analisando a mulher na foto, minha mulher. Me perco em memórias distantes que vivi com ela, seu olhar bravo, seu sorriso arrisca, suas ideias malucas. Ela foi tudo para mim, ela é tudo para mim. Não sei fico quanto tempo perdido em memórias, mas volto em mim ao ouvir a voz da garota. Me levanto indo até ela que se assusta pela minha aproximação bruta. __Como se chama sua mãe?- pergunto e ela encara o retrato em minhas mãos. __Nevim Dovin- diz voltando seus olhos até os meus__Vais me ajudar a procurar? __Como te chamas?- pergunto e ela me encara confusa. __Vénus- diz e ouço Alex engasgar atrás de mim e sou transportado para uma lembrança. __Eu quero ter uma menina e dar todo amor que não me deram- diz deitada na grama e se vira para me encarar__E você? __Eu o que?- pergunto a encarando. __Queres ter filhos?- pergunta e sorriu. __Não sei- digo e seus olhos brilham altivos. __Se eu quero, também queres. E vamos dar o nome de Vénus porque ela foi a primeira pessoa que nos uniu e foi um anjo na minha vida. __Nunca vou entender essa tua veneração pela Vénus- digo e ela revira os olhos. __Não é para entender, é para aceitar. Vénus me salvou e serei eternamente grata. __Vénus?- pergunto ainda sem acreditar. __Sim, Vénus Dovin. __Quantos anos?- pergunto sentindo meus olhos marejarem, meu coração doendo e meu corpo fraco. __Não acho que isso seja importante- diz desconfiada __Quantos anos tens?- pergunto mais calmo. __Vinte e um- responde e começo a fazer as contas. __A gravidez foi de cinco meses?- pergunto e ela se afasta assustada. __Como você sabe disso?- pergunta se afastando um pouco assustada__Eu agradeço muito a ajuda de vocês, mais acho que podem ir. Eu resolvo tudo sozinha. Olho para a garota que acaba de mudar minha vida por completo e ela nem sabe disso.
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