O som dos saltos dela ecoava pelo corredor vazio.
Rápido. Irregular. Desesperado.
Ela não olhou para trás.
Não podia.
O passado não era algo que se deixava para trás — ele vinha atrás dela. Sempre vinha.
O vento frio da noite cortava sua pele quando ela finalmente saiu pela porta dos fundos do prédio. O coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito. As mãos tremiam, o ar parecia pesado demais para entrar nos pulmões.
Ela tinha conseguido.
Ou pelo menos… era o que queria acreditar.
Mas o silêncio… era errado.
Silêncio demais.
Antes de dar mais um passo, ela parou.
Algo estava ali.
Ela sentiu antes de ver.
A sensação de estar sendo observada percorreu sua espinha como uma lâmina fria. Lentamente, ela virou o rosto.
E então… viu.
Um carro preto, parado a poucos metros.
Motor desligado.
Vidros escuros.
Impossível ver quem estava dentro.
Mas não precisava ver.
Ela já sabia.
O ar ao redor pareceu se tornar mais denso.
— Você realmente achou que ia embora assim?
A voz veio da escuridão.
Baixa.
Controlada.
Perigosa.
Ela congelou.
A respiração falhou por um segundo.
E então, como se o mundo estivesse se fechando ao redor dela…
A porta do carro se abriu.
Ele saiu devagar.
Passos firmes.
Calmos demais.
Como alguém que não estava com pressa — porque sabia que não precisava.
O sobretudo escuro acompanhava o movimento do corpo alto e imponente. O rosto dele ainda parcialmente oculto pela sombra, mas os olhos… esses eram impossíveis de ignorar.
Frios.
Fixos.
Como se já a possuíssem.
— Você nos fez perder tempo — ele disse, dando mais um passo à frente.
Ela deu um passo para trás.
Instintivamente.
— Eu… eu não—
— Não.
A palavra foi curta.
Cortante.
Final.
Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse analisando cada detalhe dela.
Cada tremor.
Cada erro.
— Você não fala quando eu estou falando.
O silêncio voltou a pesar.
E então… outro som.
Um segundo carro.
Desta vez, o farol piscou ao se aproximar.
Ela virou o rosto na direção do som.
E foi quando percebeu…
Não era só ele.
Nunca foi.
A porta do segundo carro se abriu.
Outro homem saiu.
Depois outro.
Agora três.
Três silhuetas.
Três presenças.
Três formas de perigo.
O primeiro homem sorriu — mas não havia nada de gentil naquele sorriso.
— Agora… vamos conversar direito.
Ela engoliu em seco.
O mundo parecia ter diminuído.
Restava apenas ela…
E eles.
E, pela primeira vez…
Ela entendeu o que realmente significava estar sem saída.