E agora? Ainda acha que isso foi um sacrifício?

1007 Words
Relutante, abro os olhos e vejo os dele fixos nos meus. A conexão é profunda, quase avassaladora. O ritmo aumenta, e a cada movimento sinto o desejo se acumulando, até que finalmente me rende ao clímax. Sinto o corpo de Raed estremecer contra o meu, e um urro rouco de satisfação escapa de sua garganta enquanto ele também alcança seu ápice. Ofegante, ele se deita sobre mim, nossos corpos unidos pelo calor e pelo suor. Por um instante, ficamos assim, nossas respirações pesadas preenchendo o silêncio do quarto. Aos poucos, ele ergue o corpo e se apoia nos braços, me observando com uma intensidade que me faz corar. Seu cabelo está bagunçado, o que só o torna ainda mais irresistível. — E agora? Ainda acha que isso foi um sacrifício? — ele pergunta, com um sorriso provocador. Estou sem palavras, confusa com a avalanche de emoções. — Eu... — gaguejo, incapaz de formular uma resposta coerente. Ele ri suavemente, inclinando-se para beijar o canto da minha boca. — Vamos, habibi. Hora do banho. Raed me puxa, e eu o sigo sem questionar, ainda tentando processar tudo o que acabou de acontecer. A água quente cai sobre nossos corpos, e ele me ensaboa com cuidado, suas mãos explorando cada centímetro da minha pele. Fecho os olhos, tentando me recompor, mas minha mente divaga. Involuntariamente, comparo este momento com a minha primeira vez, ao lado de Zein. Aquela noite foi... diferente. Lenta, cautelosa, mas desprovida da intensidade que agora me consome. Foi quase um ensaio, enquanto com Raed é como se o mundo tivesse parado. Sinto seus olhos sobre mim e abro os meus, encontrando o olhar atento dele. Meu rosto esquenta, temendo que ele tenha captado meus pensamentos. — Tudo bem, habibi? — ele pergunta suavemente, sua boca mordiscando meu pescoço. Eu apenas suspiro em resposta, ainda confusa, mas completamente rendida a ele. Raed me puxa, e eu sigo sem questionar, ainda fora de mim, perdida nos ecos dos últimos momentos. A água quente do banho escorre por nossos corpos, e enquanto ele me ensaboa, fecho os olhos, tentando ordenar meus pensamentos. Sem querer, uma comparação surge em minha mente: a minha primeira noite com Zein. Naquela única vez em que pensei que havia feito amor, tudo o que senti foi desconforto. Zein foi cuidadoso, é verdade, mas a calma excessiva acabou tirando a magia do momento. E agora, ao lembrar disso, sou forçada a admitir que ele nunca foi tudo o que imaginei. Ergo meus olhos e encontro os de Raed. Meu coração dispara, e eu coro, temendo que ele consiga ler meus pensamentos. Suas mãos continuam a explorar minha pele enquanto sua boca desliza pelo meu pescoço, mordiscando suavemente. A água quente e suas carícias me envolvem completamente, mas minha mente insiste em lutar contra a entrega total. Ele sempre me quis? Como nunca percebi isso? Se realmente me desejava, por que esperou até agora para me dizer? Essas perguntas martelam minha mente, mas não tenho forças para buscar respostas. Estou cansada demais. Cansada de lutar contra o que sinto, contra os acontecimentos, contra ele. Então, me deixo levar. Depois do banho, voltamos para a cama. Eu não quero pensar mais, só quero dormir. Esquecer os problemas. Raed me envolve em seus braços, e para minha surpresa, encontro uma paz inesperada em seu abraço. Antes de perceber, adormeço com um sorriso tímido tentando brotar em meu rosto. Quando acordo, o quarto está na penumbra. O sol já está se pondo, tingindo o ambiente com um tom laranja suave. Meu nariz está enterrado em um peito quente e cheiroso. Ergo o rosto e vejo Raed com os olhos fechados, respirando tranquilamente. Oh, Allah! Por que sinto que isso não vai acabar bem? Conheço essa família! Só porque ele é a ovelha desgarrada, isso não significa que seja diferente. Claro que ele vai querer unir o útil ao agradável. Por que não chegou até mim antes? Por que só agora? Será que ele realmente me desejava, como disse? Esse homem é quem diz ser? O pânico começa a me dominar. Uma vontade desesperada de fugir me invade, mas Raed abre os olhos no exato momento em que tento me levantar. Ele me encara com um sorriso preguiçoso, antes de olhar para o rádio-relógio ao lado da cama. — Oito horas. Está com fome? Eu pisco, ainda aturdida, tentando processar tudo. Seu olhar é penetrante, e mesmo coberta pelo lençol, sinto-me completamente nua sob sua observação. Não confio na minha voz, então apenas faço um leve aceno com a cabeça. Ele sorri, satisfeito. — Vou entender isso como um "sim". — Ele se inclina, deixando um beijo rápido em minha boca antes de se levantar. — Estou morrendo de fome. Donatela deve ter preparado o jantar. Vou me trocar e pedir para ela servir. Enquanto isso, você também pode se trocar. Raed se afasta da cama, completamente nu. Meu olhar, contra a minha vontade, o segue, fixando-se na perfeição de suas costas e no contorno de seu corpo enquanto ele pega as roupas. Quando ele se vira, rapidamente desvio o olhar, o rosto em chamas. — Não vai se levantar? — ele pergunta casualmente. — Vou — respondo, fechando os olhos enquanto ouço o som dele se vestindo. A cama se inclina novamente, e quando abro os olhos, Raed está pairando sobre mim, com aquele sorriso fácil e caloroso no rosto. Ele exala masculinidade, e eu percebo, com um misto de frustração e fascínio, que ele me tem completamente sob seu controle. Meu coração acelera quando nossos olhares se encontram. — Relaxa, Isabella. Quero que você se sinta bem comigo. — Sua voz é baixa e tranquilizadora. — E, mais uma coisa: quando voltarmos para os Emirados, iremos ao médico. Você já fez o ultrassom? Sua pergunta me traz de volta à realidade. Levo um momento para responder, ainda tentando processar tudo. — Não, ainda não. — Então iremos resolver isso. — Ele deixa um beijo suave em minha boca antes de se levantar. — Te espero na sala.
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