Isabella Sentei-me na poltrona de veludo vermelho, o tecido macio contra a pele, mas incapaz de me oferecer o conforto emocional de que eu precisava. A poltrona, uma peça restaurada com esmero, parecia refletir a personalidade de minha tia Raquel: vibrante, marcante, uma sobrevivente do tempo. Aos sessenta e dois anos, ela exalava uma energia juvenil que era difícil de ignorar. Seu cabelo vermelho, sempre impecavelmente tingido, contrastava com as rugas suaves que apenas sugeriam sua idade. Raquel era como uma chama que nunca se apagava, uma força da natureza que parecia imune às adversidades. Ela entrou na sala cantando “Space Oddity” de David Bowie, seu corpo balançando no ritmo da música. Ri sem conseguir evitar. Era isso que ela fazia — tirava um sorriso mesmo nos dias mais sombrios.

