O Plano

853 Words
No silêncio da noite, vou até a biblioteca e começo a revirar as gavetas, prateleiras. Tudo, procurando meu passaporte. Encontro um maço de notas altas de libras dentro de uma caixa preta. Estremeço. Nunca peguei um centavo de ninguém, mas preciso pensar no meu filho. Respiro fundo e o retiro da caixa. Faço a contagem. A quantia não é pequena. Dá para pagar minha passagem, dá para alugar uma casa modesta, e ainda fazer a compra do mês. Isso é pelos móveis que ele desfez e pelo tempo que trabalhei com o Sheik. Já as roupas, ele me deu. Novas. No dia seguinte, depois que conversamos sobre sua viagem, elas chegaram aos montes: Blusas, saias, Kaftans, vestidos. As servas ficaram meio dia guardando tudo, arrumando no closet. Limpo minha lágrima infeliz por eu ter me metido nessa confusão. Continuo minha inspeção, mas nada do passaporte. Na mesa vejo seu notebook. A curiosidade agita meu coração. Eu o abro. Espero a iniciação e dou de cara com a imagem de fundo de tela: Raed abraçado a garota. A família dela ao lado. Aperto os lábios, contrariada. Não preciso ver mais nada. Fecho a tela com força e começo a fuçar nas gavetas. Só encontro pastas com outros tipos de documentos, papéis, mas nada do meu passaporte! Bem ao fundo de uma delas toco numa caixa de veludo n***o. Eu a pego e a abro. Ergo as sobrancelhas quando vejo o lindo solitário. Com certeza ele comprou para aquela mulher, acredito que ele estava para pedi-la em casamento. Aquele sentimento r**m se apodera de mim novamente. Não quero um homem pela metade, eu quero amar um homem que esteja inteiro nessa relação. Eu acredito no romance, amor, e então, sexo. Não quero um acordo, quero que alguém perca a cabeça por mim, quero me sentir valorizada. Saio da biblioteca e caminho silenciosamente pelo palácio. Entro no corredor iluminado pelas luzes de segurança. Eu me dirijo ao quarto de Raed. Logo que entro, fecho a porta. Começo a revirar tudo. Seu criado-mudo, todas as gavetas que encontro à procura do meu passaporte. Apago a luz do abajur e entro no seu lindo closet e acendendo as luzes, fecho a porta. Passo a mão pelos seus ternos e camisas. Todos organizados por cor, tipos e tamanhos. Os sapatos, um mais lindo que o outro muito bem distribuídos. Começo a abrir as gavetas. Encontro suas gravatas alinhadas, suas cuecas organizadas. Quando chego na gaveta de camisetas, sem pensar pego uma. Fecho os olhos e sinto seu cheiro. O perfume é gostoso, como o dono. Como se eu caísse na realidade, coloco a camiseta no lugar e continuo minha busca pelo passaporte. Encontro uma gaveta cheia de documentos. Meu coração se agita em antecipação. Então, revirando tudo, finalmente o encontro. Junto com ele uma foto. Eu a pego na mão e a observo: É de uma festa que o Sheik participou de ajuda humanitária. Vejo Raed sério ao lado do pai, eu estou mais ao fundo, com um tailleur vermelho, a postura ereta, com um sorriso no rosto. Passo a mão pelos olhos e limpo as lágrimas. Mulher é um bicho trouxa mesmo, eu estava iniciando minha independência, estava indo tão bem. Por que eu tinha que me envolver com Zein? Guardo a foto e quando estou para sair do closet as luzes se intensificam no quarto. Allah! Abro um pouco da porta do closet e espio. Raed? Mas ele não viria só daqui a uma semana? Ele começa a retirar a gravata, eu estremeço de nervoso. Ele então começa a desabotoar a camisa, virado na minha direção. Eu começo a tremer, mas não consigo desviar meus olhos dele. Quando ele retira a camisa, seu corpo é revelado. O peito poderoso, estufado pelos músculos, sua barriga tanquinho. Bem malhado. Sim, eu vi uma academia no palácio, ele deve se exercitar lá. Quando ele vem na minha direção, eu me desespero e vou para trás, mas caio sentada no chão pois meu pé direito enrosca em algo. A porta é aberta e dou com os olhos de Raed em mim. Ele ofega. Seus olhos descem para as minhas mãos e ele vê o passaporte nela e o dinheiro na outra. —Allah! —Ele diz exasperado, como se não acreditasse nos seus olhos. Passa as mãos nos cabelos, ele parece sem saber o que fazer. Então ele olha para mim de novo. Nunca vi seu rosto tão duro. Eu me levanto, ofegante. Ele ri amargo. —Nem vou te perguntar o que está fazendo aqui, pois é muito claro. É isso? É isso que recebo por te ajudar? Você ia fugir com meu dinheiro? Eu aperto o dinheiro nas mãos. —Esse dinheiro é para ter a minha vida de volta. Você se desfez dos meus móveis. Ele ri. —Seus móveis? Aquela velharia? Então ele esteve no meu apartamento! —Não importa, eram meus. Minha vida! E ela está sendo roubada. Raed trava sua mandíbula depois solta o ar pelas narinas, parece um touro enfurecido. Diz entredentes. —Já conversamos sobre isso, e você continua batendo na mesma tecla.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD