Henry achou que os eventos que viu e sentiu no escritório eram Ayla se comunicando com ele, dando sinais da presença dela, fechou os olhos sem conseguir conter o pranto e a emoção, imaginar que o espírito de Ayla se fez presente e não podia vê-la, ouvir ou tocá-la, esmagou seu coração numa dor profunda e abaixou o rosto para chorar, não havia consolo, não havia solução pra sua infelicidade e o desespero quis dominá-lo, mas sentiu uma mão em seu ombro e ouviu:
_Você já pagou e paga pelo que fez alpha, a alpha já o perdoou, está na hora de se perdoar também- disse Vitória com pesar
Henry continuou de cabeça baixa e com voz entrecortada, disse:
_Não sei se consigo, sinto raiva de mim mesmo e de tudo, estou a ponto de enlouquecer...
_Mas não vai, a alpha Ayla lhe deu o dom das trevas e com isso um propósito, defender e proteger os sobrenaturais dos vampiros, Magnus logo ressurgirá pra vingar a morte da alpha, fará uma guerra em nome dela e todos nós precisamos nos unir pra combatê-lo.
Henry olhou rápido pra Vitória e perguntou do que ela estava falando e ela respondeu:
_Que está na hora de trazer o equilíbrio ao mundo sobrenatural, sobrenaturais de vários pontos do mundo já sentem que uma guerra eminente irá eclodir, os vampiros estão se reorganizando pra eliminar os lobos e todos que os apoiarem, pra isso, atacarão os humanos, subjugaram os mais fracos primeiro, depois todo vampiro que não estiver ao lado deles e se não agirmos vão extinguir os lobos e nós, sobrenaturais da magia que não os apoiam.
Henry ficou com os olhos vermelhos e pediu:
_Me conte tudo que vocês estão prevendo.
Vitória contou o que estava previsto nessa guerra, uma guerra pra vingar a alpha morta, o quanto seria sangrenta, que haveria ajuda e apoio com a chegada de novos aliados, mas que os vampiros também teriam aliados poderosos, que ele se preparasse, pois ele deveria liderar aquela guerra, o alpha escutou trocando olhares com Martin e Romeu que tinham expressão séria, fez diversas perguntas que Vitória respondeu com cautela pra não falar demais, por fim ele disse:
_Se minha adorada companheira me pede do além para lutar pelos lobos, pelo mundo sobrenatural, eu dedicarei o resto da minha vida a isso, mas sou amaldiçoado e minha ajuda será limitada.
_Como já lhe disse, alpha, a alpha Ayla já o perdoou- falou Vitória o olhando diretamente.
Henry sustentou o olhar e perguntou o que ela queria dizer com aquilo e ela respondeu:
_Que sua maldição foi quebrada, os eventos que presenciou eram o sinal do fim da maldição, não foi preciso você reencontrá-la para quebrar, apenas o desejo dela em dar fim à sua tortura e com o consentimento da Deusa Luna pra isso.
Henry ouviu aquilo incrédulo, achou que tinha sido uma manifestação do espírito de Ayla o fenômeno no escritório, escutou Martin suspirar e olhou pra ele que disse:
_Meu alpha, minha angústia e remorso deram trégua.
Henry voltou a olhar pra Vitória que se levantava do sofá com as outras bruxas e disse a ele:
_Agora que cumpri o que a alpha me pediu, devo partir.
_Não, fique, já está escuro, pode ser perigoso viajar a noite e você trouxe a paz ao meu espírito, devo muito a você.
_Não me deve nada alpha, essa é a missão de toda bruxa, fazer o bem sem olhar a quem, mas devo partir, não temo a noite e será seguro o meu retorno.
Henry então estendeu a mão a ela que apertando a mão dele, ouviu:
_Serei um protetor da Fortaleza da Fé, um amigo pra tudo que precisarem, não hesite em me procurar.
_Sim e nós estaremos preparadas pra apoiá-lo nessa guerra, lutaremos lado a lado.
_Também estarei nessa guerra lutando com vocês, os lobos tem de se unirem - disse Romeu esperançoso.
_Comecei tudo errado, mas terminarei tudo certo- disse Henry com convicção.
E aquela noite começava a união dos sobrenaturais da Espanha pra combaterem a guerra, Vitória se despediu dos alphas e partiu, Henry, Romeu e Martin conversaram até o dia amanhecer sobre tudo que Vitória falou, sobre a maldição e sobre como agiriam até que Romeu tocou num assunto delicado:
_Alpha Henry, você e o alpha Adrian precisam procurar se entender, essa guerra chegará pra ele também.
Henry suspirou contrariado e disse:
_Sim, eu sei, confesso que já não tenho mais a mesma simpatia por ele, encerrei os negócios que tínhamos juntos e sinto ojeriza toda vez que lembro do olhar dele quando viu Ayla, do desejo evidente no semblante dele e o desafio que me propôs ao saber que ela tinha me rejeitado, mas há algo maior agora.
_Sim, irei conversar com ele e tentar intermediar a concordância entre vocês, o deixarei ciente do que está acontecendo e você também deve alertar os outros alphas.
Henry concordou e no novo dia que nascia, o alpha passou o dia ansioso, carregava no bolso o anel do perdão, apertava a caixinha em seu bolso a todo momento, esperando a noite chegar e ter a certeza do que Vitória falou, pouco antes da lua virar foi pro calabouço, precisava se precaver, Romeu e Martin foram com ele e quando a lua virou, nada aconteceu, esperaram um pouco mais em expectativa e nada, Henry chorou e riu ao mesmo tempo, se ajoelhou, agradeceu a Deusa Luna e a Ayla, saíram do calabouço com sentimento de gratidão no mesmo momento que um lobo vinha avisar que Helena estava em trabalho de parto, Henry dispensou o beta e naquela noite houve comemoração na matilha, todos souberam que seu alpha tinha sido perdoado pela alpha, estava livre da maldição e uma nova perspectiva de vida nascia no coração de Henry que havia entendido sua lição e também nascia uma nova vida, Heron, Romeu foi embora da matilha de Henry dois dias depois, tinham montado uma estratégia pra conversar com Adrian, foi direto pra matilha de dele e encontrou Adrian se preparando pra viajar, iria até alguns países na Área do Golfo com o alpha Cristian e voltaria em um ou dois meses, Romeu então resolveu contar a ele sobre a visita de Vitória a Henry e tudo que tinha mudado e estava previsto, Adrian estava de costas escutando Romeu concluir a narrativa e perguntou:
_Ela o perdoou mesmo depois de tudo que ele fez?
_Sim, a alpha sabe que ele aprendeu a lição e não havia mais razões pra manter a maldição, o alpha tem uma missão agora.