Sem Trunfo

1212 Words
Henry parecia que teria um colapso, ele suava, suas veias do pescoço e da testa estavam saltadas como se estivesse fazendo extremo esforço, o rosto vermelho como se ele sentisse muito calor, Jun e Romeu ficaram atentos, Bianca sentia a mão de Henry apertar a sua, quente como brasa, mas se manteve firme, olhava pra Ayla e Luíza com raiva e despeito, estava revoltada que Henry havia entregue a matilha deles pra Ayla e agora não tinham nada, não tinham sequer autoridade e ainda estavam na condição de hóspedes na matilha da qual ela seria a luna, a matilha do seu filho, teria que tolerar a paixão e o desejo de Henry pela alpha, a admiração e idolatria dos alphas, via o desejo e a cobiça nos olhos deles, Ayla tinha bruxos e bruxas ao lado dela, tinha lobos que a amavam e dariam a vida por ela, Ayla tinha tudo e o que ela, Bianca, conquistou, Ayla ainda estava tirando, uma inveja e ódio pela alpha ganhava força na loba, ela não desistiria, não se daria por vencida e lutaria pra ocupar o lugar que tinha direito, usaria seu filho pra isso e ficou pensando em tudo que faria dali pra frente, se tivesse oportunidade, se livraria de Ayla pra sempre, ela deveria ter continuado morta, a vida era mais fácil sem ela, já Gaia sentia a mão de Adrian tremer violentamente e estava quente como se estivesse com febre, os olhos dele tinham paixão ao olhar pra alpha, depois da briga com Henry, ele agarrou a mão dela e saiu a puxando pra fora, não falou nada com ela, sequer a olhou, ele só tinha olhos pra Ayla, entendeu que ele a abandonaria um dia pra ficar com a alpha, ela era só a mãe do filho dele, tolerada, ele já não parecia o alpha preocupado e atencioso com ela, agora se sentia um mero objeto que ele precisava carregar, sentiu raiva, mas não de Ayla e sim de Adrian, era apaixonada por ele e quanto mais ele mostrava desinteresse por ela, mais ela o queria e o teria custasse o que fosse, Estevão que vendo que os alphas não entrariam, apesar do pedido de Romeu e Jun, permaneceu também, mas olhou para os alphas e ficou preocupado, já tinha entendido o que Romeu lhe falou sobre o efeito que uma alpha fêmea tem sobre os machos, mas o que via, era o prelúdio de algo bem pior que a guerra que enfrentavam, a alpha logo seria disputada, guerras em nome do amor são devastadoras, mas em razão do poder e da ganância eram bem piores e chamou a atenção de Serafine pra reação dos alphas vendo a cena, essa arregalou os olhos e sussurou: _Estevão, estamos no meio de um barril de pólvora pronto pra explodir sob qualquer faísca. Estevão confirmou e ela, sem tirar os olhos dos alphas, continuou: _Reunirei os outros, precisamos ficar em alerta, uma batalha com vampiros é perigosa, uma batalha com alphas pode ser ainda pior. Estevão expirou alto desviando o olhar dos alphas, franziu a testa, olhou pra ela e perguntou: _Está sentindo algo arranhar sua mente? _Um sentido? Sim, desde que chegamos aqui, estamos em guerra, o perigo nos ronda e nossos sentidos nos impelem a ir a caça. Estevão lambeu os lábios pensativos e replicou: _Não, não é isso, meu sentido não aponta pra caçar vampiros, nem me alerta sobre a proximidade deles, é outra coisa, irei caçar o que é, fique atenta! Serafine confirmou e disse que alertaria os outros, saiu, deixando Estevão inquieto. Ayla viu que não estava sozinha com Luíza, mas Jihoon, Jorge, Xin e alguns de seus outros lobos as cercaram para ter alguma privacidade com Luíza, voltou a abraçar a beta e conversou baixo com ela ao pé do ouvido, pediu perdão, disse que sentia a falta dela e que a amava, que queria que a partir dali, não ficassem mais separadas, Luíza disse que a perdoava, que a vida dela tinha perdido o sentido quando ela morreu, mas agora seria feliz novamente, disse que a amava muito e que nunca mais ficasse longe dela, as duas conversavam e riam de felicidade, era um encontro de irmãs que se amavam, almas simpatizantes que completavam uma a outra, por fim, Ayla se soltou da beta, pegando na mão dela, chamou Martin que se aproximou, ele estava emocionado e escutou: _Onde está Helena? A loba estava afastada com Heron no colo, se aproximou quando Martin olhou na direção dela e a chamou no mental, ela cumprimentou Ayla que respondeu e disse: _Esse deve ser o pequeno Heron. O lobinho sorriu envergonhado pra alpha que perguntou se podia pegá-lo no colo e sem esperar a resposta dos pais, Heron pulou pro colo de Ayla, ele tinha dois anos, mas parecia ter mais, como todo lobo criança, o lobinho abraçou Ayla e disse: _Você tem um cheiro tão bom. Todos riram e Luíza perguntou que cheiro era e ele respondeu: _Chocolate e caramelo Eram os doces preferidos dele, então Ayla, ainda rindo, perguntou: _Quero ir até a casa de vocês, assim poderemos conversar um pouco e quero passar algumas orientações, claro, se eu não for incomodar. Heron respondeu antes de todos, disse que ela podia ir, ela era muito bonita, cheirosa e que a mãe tinha feito um bolo, Martin e Helena riram sem graça com a sinceridade espontânea do filho, mas disseram que ela jamais incomodaria, então Ayla, sorrindo, disse: _Martin, avise os alphas que os encontrarei amanhã no desjejum, hoje estamos livres de grandes perigos, peça a todos pra se revesarem na vigília, os espadachim protegerão a casa da matilha, se algo mudar, Emir, que virá conosco, nos avisará e alerte a todos os alphas, que não os quero me seguindo ou serão atacados, seguiremos na frente. E olhando pra Jihoon, disse no mental: (Você e Xin ficarão comigo todo o tempo e evitem a todo custo falarem no mental comigo, o alpha Henry pode nos escutar) Nesse momento eles escutaram um rosnado alto e certa movimentação na varanda, mas Ayla nem olhou, ela sabia o que era, tinha tirado o trunfo de Henry e com Heron no colo, de mãos dadas com Luíza, se dirigiu em direção a casa de Martin, na companhia de Helena, Jihoon, Xin e Emir, já tinham se afastado, mas ainda escutavam discussões e rosnados vindo da casa da matilha e Emir comentou: _É preciso muita coragem pra enfrentar tudo que está enfrentando e ainda vai enfrentar, alpha. _Não tenho escolha, Emir. Ele concordou e continuaram o resto do caminho escutando a tagarelice de Heron que fazia inúmeras perguntas pra alpha, passavam por lobos que cumprimentavam a alpha com a cabeça baixa e brilho no olhar, quando chegaram, Helena os convidou a entrarem, Jihoon e Xin ficaram na varanda, vigiariam a casa, os outros entraram e se acomodaram à mesa da cozinha, Helena foi preparar chá e ofereceu bolo que Heron disse estar muito delicioso, todos riram e logo chegou Martin, ele parecia alterado, estava trêmulo, a gola da camisa esgarçada e tinha uma expressão constrangida, a alpha entendeu o que tinha acontecido e num tom suave e calmo, algo que seria comum à ela, disse: _Sente-se e feche o seu mental, beta.
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