Bianca ficou apavorada, não sabia quem era aquele lobo, ele parecia louco, não podia ser a companheira dele, Henry não podia fazer aquilo com ela, não aceitaria aquele lobo, a cabeça de Bianca girava, queria fugir, mas todos a olhavam em expectativa e tentando demonstrar uma calma que não tinha, disse:
_Ele está enganado, sou parceira do alpha Henry, mãe do futuro alpha dessa matilha...
Zuberi rosnou gritando que não aceitaria ser rejeitado, Bianca se assustou indo pra trás, Akin, Henry e Oliver retendo Zuberi até que ouviram Emir chamar Akin, esse olhou pro bruxo, entendeu, olhou pra Amina que tinha uma xícara na mão e disse alto:
_Amina, fale!
Todos olharam pra Akin sem entender e a bruxa dando um meio sorriso, olhou pra xícara, depois olhou pra Akin e disse:
_Quem acalenta vida onde não há semente, amamenta apenas o vazio, pois o ventre da ilusão gera apenas vento e assim como a lua cheia não é ouro, também nem toda barriga é promessa de vida.
Akin e Romeu falaram palavrões, entenderam, Emir vibrou e a bruxa jogou a xícara no chão, a despedaçando, no mesmo instante Bianca colocou a mão no ventre como se sentisse dor e a barriga murchou, uma explosão foi ouvida no ar, assustando todos e Emir, olhando pra Bianca que apertava a barriga, disse:
_Lamento, agora sei que foi enganada também, mas você nunca esteve grávida.
Henry que ainda retinha Zuberi, o soltou e olhando pra Bianca com fúria no olhar perguntou:
_Você me enganou? Como?
_Era um feitiço de falsa gravidez, alpha, uma mentira, uma ilusão feita por uma bruxa pra fazer todos acreditarem que Bianca estava grávida, até mesmo ela acreditou.
Bianca ouvia Emir falar e um desespero a dominava, não era possível, não podia acreditar, levantou o olhar pra todos que a olhavam em desaprovação, foi então que escutaram tiros, pararam por um segundo e Emir falou alto:
_Magnus! Ele está na casa da alpha!
Todos viraram pra sair, Henry saiu empurrando e atropelando todos pra sair na frente, que na pressa, arrombaram a porta da casa da matilha.
Ayla antes de chegar a sua casa, sentiu algo a inquietar, como um desejo e seu instinto lhe disse o que era, pediu a Jihoon e Xin que a deixassem sozinha na casa, já estava de noite, que eles fossem na frente pro quartel, a esperassem lá, não haveria tempo pra mais nada, a alpha tinha um tom suave na voz, eles não desconfiaram das palavras dela e obedeceram, seguiu o resto do percurso sozinha e chegando já próximo a sua casa, teve certeza do que foi alertada, não havia os lobos da África fazendo a vigília, subiu a varanda sentindo seu coração palpitar, abriu a porta da casa devagar, a fechou as suas costas e só então acendeu a luz pra ver Magnus de pé no meio da sua sala, ele suspirou alto quando a viu, os olhos brilhando, demonstravam a emoção que sentia em vê-la, em volta dele estavam outros oito vampiros, quatro deles seguravam seus lobos que tinham dardos de acônito pelo corpo e sob ameaça de presas na jugular, então escutou:
_Não chame ninguém, minha loba, ou terei que matar esses lobos que tanto protege e também se desfaça das espadas e do coldre, não vim lutar com você, só vim buscá-la.
Ayla escutou os lobos rosnarem, olhava fixamente pra Magnus que a olhava fascinado, esboçando um sorriso, ela soltou as takanas das costas, as soltando no chão, soltou os coldres das coxas e da cintura deixando cair no chão, Magnus atento a cada movimento dela, linda, sexy, perfeita, salivou de desejo e deu dois passos em direção a ela, diminuindo a distância entre eles, ela parecia calma sem tirar os olhos dele, ele estendeu a mão e disse:
_Vamos, venha comigo.
Os lobos rosnaram, tentaram reagir, mas estavam drogados e ela retrucou:
_Porque acha que irei com você? Solte os lobos e me enfrente, sem armas, sem alphas ou caçadores, só eu e você
_E porquê acha que quero lutar com você? Acha que quero matá-la ou morrer de verdade? Não, quero viver com você ao meu lado, só comigo, sei que já venceu o chamado do sangue, mas não quero escravizá-la, nem poderia, entretanto, ainda é minha transformada, um pedaço de mim fora do corpo, não quero nada além de que me aceite, seja minha e eu darei tudo a você.
_Não, você tirou tudo de mim, matou os meus pais, dizimou minha matilha e me condenou a vida que tenho, não o aprecio e nada do que possa me dar pode substituir o que perdi.
Magnus abaixou a mão com o olhar triste e disse:
_Prefere ficar com os lobos? Acha que eles são melhores do que eu? O que acha que eles lhe darão? O que eles tem a oferecer a você, já provou, ser aprisionada, abusada e até morta, além de ser traída, as intenções e ambições deles são ruins, senão fosse, eu não estaria aqui agora, dentro da sua antiga prisão, tem a memória do sangue do alpha, posso lhe mostrar o que não percebeu e descobrirá que o alpha não foi muito diferente de mim, não é melhor do que eu.
Ayla entendeu que tinha sido traída, alguém o havia convidado a entrar na casa dela, desconfiou de quem fosse e replicou:
_Não, está enganado, eu sei tudo e sei o que quer me mostrar, não discordo totalmente do que diz, mas estão todos aprendendo, tendo a chance de mudarem ou não, seus argumentos não irão me convencer a ir pro seu lado, tampouco me unirei a quem assassinou meus pais, acha que poderia amá-lo depois de tudo que fez e ainda faz?- disse Ayla num sussuro
Magnus se surpreendeu, não esperava que ela soubesse tudo e suplicou:
_Eu a amo! Senti isso desde a primeira vez que a vi, soube assim que a perdi, a amo não porque é minha transformada, mas sim porque meu coração escolheu você, me arrependo das atrocidades que fiz, não me trouxeram a satisfação que esperava, continuei vazio e infeliz, mas você, sua existência trouxe luz e esperança pra mim e quero me tornar melhor, ser alguém melhor por você, pra você e tendo você pra mim, quero espalhar todo esse amor que sinto a minha volta, essa é a minha vontade, o meu propósito, me dê a chance de lhe mostrar todo o meu amor, posso não devolver o que é insubstituível na sua vida, mas posso lhe dar, daqui pra frente, tudo o que tenho e posso conseguir.
Ayla, por um segundo, ficou encantada com as palavras dele, se sentiu amada por ele que falava do fundo do coração, ela sabia, ele estava sendo sincero, aquele a quem devia odiar e jurar vingança era o único que declarava a verdade do que havia em seu coração, pro bem ou pro m*l, Magnus a amava do jeito dele, não negava isso, o vampiro percebeu que a atingiu, os olhos dela brilharam, deu mais um passo até ela, quis avançar mais, mas precisava ser cauteloso, já tinha sido avisado daquilo tudo que acontecia, ela ficaria balançada, porém ainda não cederia, não por enquanto, era o primeiro contato, a primeira declaração de amor que faria a ela, faria muitas outras ainda, mas ainda tinha um grande caminho a percorrer até ser amado por ela e ele estava disposto a correr até esse objetivo.