Raul
Tenho acompanhado Karl em todos esses dias que ele ficou no hospital e apesar de estar com muita pena de Anna, vejo que não está fácil para o meu amigo também. Essa perda de memória tem afetado muito ele, e para tentar ajudar de alguma forma, resolvi que irei contar para ele tudo o que aconteceu, com o máximo de detalhes possível. Acredito que de alguma forma, ouvir tudo o que ele viveu pode ajudar a trazer de volta as suas memórias.
_ Karl!
_ Fala Raul.
_ Você está bem? Quer que eu continue?
_ Quero cara, eu quero saber o máximo de informações que for possível. Eu preciso me lembrar de tudo que vivi.
_ Não se force cara, escuta tudo que tenho para falar, mas deixa o tempo cumprir o seu papel. Bom cara, depois que Anna se afastou vocês se encontraram novamente. Fomos a um bar comemorar o aniversário de um dos caras do quartel, e quando chegamos lá você eu de cara com a Anna, naquele dia você disse que o destino fazia questão de coloca-los frente a frente. Você não a cumprimentou quando chegamos, mas não tirou o olho dela a noite toda, posso dizer até que ficou com ciúmes, pois quando percebeu que ela estava acompanhada, você ficou vermelho de raiva. Os caras zoaram você, mas você não estava nem aí, não aproveitou nada da noite, só observando a menina. Dizia que o cara que estava com ela tinha cara de babava e não sabia o que ela estava fazendo com ele. Você ficou a observando até que o cara saiu de perto dela, você não pensou duas vezes e se aproximou, falou que o cara era mesmo i****a por sair de perto logo quando começou a tocar uma música romântica e que se ele fez isso era sinal de que eles não estavam juntos.
Você nem pensou cara, aproveitou que ele saiu e foi até ela, eu só vi quando você a puxou e começaram a dançar, depois disso não voltou mais para nossa companhia e ficou com ela toda a noite. Karl nesse dia você a beijou.
_ O quê?
_ E Liana?
_ Cara, vocês já não estavam bem, mas na hora você nem pensou. Segundo o que você me falou você levou Anna para casa e quando ela foi descer do carro você não conseguiu se segurar e a beijou.
Estava contando para Karl sobre o primeiro beijo dele e Anna quando meu telefone tocou e era ela.
_ Oi Anna, tudo bem?
_ Raul, está sim. Como estão as coisas? E Karl?
_ Esta tudo bem Anna, Karl está bem e amanhã ele irá para casa.
_ Que maravilha Raul, na verdade Thyna já havia me falado e eu queria saber se você precisa de alguma ajuda.
_ Não Anna, está tudo certo. Já conversei com a mãe de Karl e está tudo em ordem. Anna, tem algo que quero que saiba.
_ Aconteceu algo?
_ Na verdade eu acabei de falar de Karl sobre vocês.
_ O quê, como assim Raul? Não tínhamos combinado que você faria isso quando ele já estivesse em casa?
_ Sim Anna, mas amanhã ele irá para casa e ele está muito aflito querendo entender algumas coisas e por isso resolvi adiantar um pouco.
_ Isso tudo não fará m*l para ele Raul? É muita informação de uma vez só.
_ Não Anna, não se preocupe, já conversei com o médico dele e ele falou que não tem problema.
_ Pode ser bom Anna, quem sabe ajude-o a se lembrar.
_ Estou torcendo por isso Raul. Sinto tanta falta dele.
_ Imagino Anna, e saiba que você pode contar comigo para qualquer coisa, ok?
_ Obrigada, Raul. Você tem sido um grande amigo.
_ Estou aqui para isso, Anna. Bom, vou desligar agora, depois eu te atualizo sobre como foi o restante da conversa com Karl, tudo bem?
_ Claro, fico aguardando. Até mais, Raul.
Desliguei o telefone e voltei a minha atenção para Karl, que estava com uma expressão mista de surpresa e confusão.
_ Desculpa cara, eu deveria ter te consultado antes de contar para a Anna.
_ Tudo bem, Raul. Acho que é importante ela saber também.
_ Entendo. Bom, onde eu estava mesmo? Ah, sim, você tinha acabado de beijar a Anna.
_ Eu beijei a Anna? E Liana?
_ Sim, você beijou a Anna. E quanto a Liana, bem... as coisas entre vocês não estavam indo muito bem naquela época. Acho que o beijo com a Anna foi um reflexo disso.
Karl parecia absorver todas essas informações, processando cada detalhe.
_ É muita coisa para assimilar de uma vez só.
_ Se precisar de um tempo, tudo bem. Podemos parar por aqui e continuar outro dia.
_ Não, acho que preciso ouvir tudo de uma vez. Quanto mais eu souber, melhor.
_ Tudo eu não digo, mas vou te dar o máximo de informações que conseguir por hoje.
_ Tudo bem Raul, quero saber o máximo que puder.
_ Certo, então vamos lá. Depois do beijo você se sentiu culpado já que estava namorando com Liana e sentiu que Anna se entregou aquele beijo, cara naquele dia você percebeu que Anna sentia o mesmo por você, e ficou claro que ela havia se afastado por isso. No dia seguinte você foi até a casa dela e tentou se explicar, falou que não agiu por impulso, que não conhecia tirar ela da sua cabeça, que o beijo era como se vocês tivessem se reencontrado. Cara você disse que era como se em aguam momento vocês já tivessem estado juntos e aquele beijo era como um reencontro. Você se abriu com Anna, revelou tudo o que estava sentindo e me disse que naquele dia, sentiu que era recíproco que Anna sentia o mesmo que você, pois quando contou a ela sobre Liana os olhos dela se encheram de lágrima, mas que ela foi super adulta, que falou que já imaginava e que você não tinha que se preocupar. Ela falou que você não tinha com o que se preocupar que ela estava focada na faculdade e não tinha tempo para isso naquele momento. Cara ela te deu um fora.
Falo e olho para Karl que presta atenção em cada detalhe.
_ Como assim ela me deu um fora?
_ Ela simplesmente te mandou voltar para sua namorada pois ela não queira e não iria ficar entre vocês dois.
_ E eu aceitei? Simplesmente isso?
_ Uai cara como assim? Você não estava aí falando que não era assim, que jamais trairia Liana, que não podia agir dessa forma
_ Raul, mas se eu fui até a casa dela é porque eu realmente estava interessado nela. Cara quantos anos eu estou com Liana, kunca tive interesse em outra mulher e de repente Anna entra na minha vida e eu ia simplesmente aceitar um fora assim? Ta louco?
_ Não estou entendendo você Karl.
_ Raul, para de enrola e conta logo o que aconteceu.
_ Cara, você me falou que Anna mandou você ir embora, que já haviam esclarecido as coisas e que você precisava ir. Mas você beijou ela de novo.
_ p***a cara!
_ O que você Karl?
_ Era disso que eu estava falando, kkkk
_ Como assim Karl?
_ Raul pensa comigo, se eu estava realmente interessado nela, eu não iria aceitar simplesmente um não, eu tinha que resolver as minhas pendências com Liana e lutar por ela, e ir embora simplesmente não iria me ajudar.
_ É você tem razão. Mas Anna não é assim tão fácil.
_ Se eu me apaixonei por ela mesmo estando namorando com Liana cara, eu tenho certeza que ela não era. Mas e ai, o que aconteceu.
_ Bom você me falou que a beijou e ela se entregou ao beijo, mas logo depois se afastou.
_ Claro, ela não iria voltar atrás no que havia me falado.
_ Exato, Anna te pediu para ir embora, você foi contrariado, mas foi. E tenho certeza meu amigo que naquele dia você já sabia que estava apaixonado por ela.
_ Cara eu me lembro disso... ou pelo menos sinto como se lembrasse.
_ E foi nesse período que as coisas entre você e Liana começaram a desmoronar de vez. Nesse dia você me ligou contando tudo que havia acontecido, nos iríamos viajar para mais um treinamento e eu sugeri que você terminasse com Liana antes da viagem. As coisas já não iam bem insistir com Liana só iria deixar as coisas com Anna mais confusas.
_ Eu me lembro que já tinha tentado terminar com Liana outras vezes mas kunca consegui, não acredito que ela tenha aceitado fácil esse termino dessa vez.
_ E não aceitou cara, Liana sempre foi manipuladora e tentou usar novamente or argumentos de sempre para manter você amarrada nela. Cara Liana é tão louca que nesse dia ela te falou até que vocês tinham que se casar.
_ Como assim Raul, eu não fui terminar com ela? Como ela falou de casamento?
_ Para você ver o nível de sanidade de Liana.
Karl suspirou, parecendo angustiado com tudo aquilo, são muitas informações de uma única vez e espero de coração que tudo possa se encaixar na sua cabeça.
_ Eu fiz tantas escolhas erradas, sei que não devia ter ficado com Liana tanto tempo, mas depois de tudo que vivi acabei me acomodando e ficar ao lado dela, aliviava um pouco a minha culpa.
_ Não se culpe, Karl. Você estava tentando encontrar o seu caminho. E tenho certeza de que, com o tempo, as coisas vão se encaixar novamente. Você vai descobrir que apesar de tudo a vida foi generosa com você meu caro.
_ Eu espero que sim, Raul. Eu preciso me lembrar de quem eu era, do que eu vivi... e de quem eu amei.
_ E estaremos aqui para te ajudar, amigo. Sempre.
Continuamos a nossa conversa por mais algum tempo, contando mais um pouco sobre sua história com Anna e com a esperança de que aquelas lembranças perdidas encontrassem o seu caminho de volta para ele.