Pesadelo

1994 Words
Karl... Mal pude acreditar que a ouvi dizer sim. Meu coração batia descompassadamente, e eu não pude acreditar que finalmente, conheceria a tão sonhada felicidade. A vida parecia estar sendo generosa comigo naquele momento. Anna estava nos meus braços, envolvida num beijo que expressava todo o meu amor, enquanto os nossos amigos aplaudiam o nosso momento de celebração. Tudo parecia perfeito, até que, de repente, um estrondo rompeu a harmonia do momento. Um golpe na nuca me atingiu abruptamente, fazendo-me perder o equilíbrio. Confuso, olhei para Anna, e nos seus olhos, que antes transbordavam alegria, agora via o desespero. Tentei me manter de pé, mas percebi que as minhas forças estavam desaparecendo rapidamente. Ouvi gritos e a minha visão começou a ficar turva, a confusão tomou conta do ambiente, e as vozes distantes se dissiparam. Tentei continuar de pé, mas minhas pernas cederam, e o chão se moveu rapidamente, a última coisa que ouvi foi o eco distante dos gritos e a sensação de desorientação enquanto a escuridão me envolvia. O momento perfeito que deveria ter sido o início de uma nova fase na minha vida se transformou num cenário de confusão e incerteza. Anna... _ Karl! O momento de alegria desmoronou diante dos meus olhos, e não conseguia acreditar que viveríamos um novo e sombrio capítulo na nossa história. Senti o impacto na cabeça de Karl e logo percebi que havia sangue, ai meu Deus ele estava ferido. Karl caiu sob os meus pés e eu não consegui fazer nada a não ser gritar. _ Karl! Começo a gritar desesperadamente, ainda sem entender o que havia acontecido. Raul, com rapidez saiu atrás do agressor que eu ainda não conseguia identificar de quem se tratava, pude ver o meu pai sair para auxilia-lo enquanto Marcelo se aproximou para examinava os ferimentos de Karl. _ Anna se acalme, já pedi reforços e acionei uma ambulância. Karl tomou um tiro e teremos que levá-lo daqui. _ Um tiro? Não! Karl, não por favor, por favor. Um tiro havia rompido a felicidade que momentos antes pareciam tão certos. Marcelo tentava me acalmar, mas eu não via nem ouvia nada a não ser a dor que apertava o meu coração. Não consigo acreditar no que estava acontecendo. _Karl, meu amor, por favor, fica comigo. Eu gritava na tentativa de fazê-lo me ouvir, enquanto o mundo parecia desmoronar. A vida perfeita que imaginávamos deu lugar à incerteza, principalmente com o som das sirenes que se aproximava, demonstrando a urgência da situação. Raul estava de volta, mas com uma frustração estampada no rosto por não ter conseguido pegar o agressor e Marcelo continuava a prestar os primeiros socorros a Karl ao mesmo tempo que tentava manter a calma devido à gravidade da situação. Com a chegada dos paramédicos e a suas a reações diante de Karl, demonstrava que o seu estado era crítico, fui tirada do seu lado e ele foi levado dali, do local que minutos antes havia celebração e levado para a ambulância numa transição abrupta entre dois mundos. Tentei ir com ele na ambulância, mas não me permitiram, Raul foi com ele, enquanto Thyna e a minha mãe vieram ao meu encontro para me acalmar, Silvia também estava ao meu lado, mas e eu não conseguia ver a mãe e avó de Karl. De repente olho para o lado e vejo Gabriel de pé. Meu Deus que loucura é essa, até pouco minutos ele estava na cadeira de rodas e agora o vejo de pé em frente à Larissa como se quisesse protegê-la. _ Deus será que tudo isso mesmo é real? Me apego na ilusão de que tudo não passe de um sonho r**m, mas sou desperta dos meus pensamentos com mais sons de sirenes, a presença se intensifica de policiais, com sirenes ecoando e luzes intermitentes pintando o cenário de vermelho e azul, enquanto os agentes correm de um lado para o outro, tentando manter a ordem. Minha mente, porém, é focada em Karl. Uma sensação de urgência toma conta de mim, preciso ir atrás dele, preciso saber como ele está. Quero sair, mas não me deixam, fico ansiosa esperando por notícias de Karl enquanto observo os policiais interagindo com testemunhas e coletando evidências e percebo que a situação é ainda mais complexa do que eu imaginava. A atmosfera é carregada de tensão, como se o perigo ainda pairasse sobre nós. Meu pai então se aproxima e explica que ainda estamos em perigo, pois ainda não conseguiram pegar o responsável pelos tiros, e infelizmente ele confirma o que de certa forma eu já sabia, que a responsável por tudo isso é Liana. _ Será que isso não vaia acabar nunca? _ Como ela consegue entrar assim em todos os lugares sem ser vista? A incerteza e o medo se misturam, alimentando novamente uma sensação de vulnerabilidade que gostaria de nunca mais sentir. Marcelo então se aproxima, tentando explicar um pouco mais a situação. _ Anna, encaminhamos Karl para o hospital militar e caso você queira, poderemos levar você até lá. _ Claro que eu quero Marcelo, por favor. Eu quero ficar ao lado dele. _ Mas Anna, eu preciso que se acalme, principalmente porque Raul já me atualizou das notícias e disse que infelizmente o quadro de Karl é grave. Ouço as palavras de Marcelo e o meu mundo se abre diante de mim. Sinto então as mãos do meu pai me envolver em um abraço tentando me trazer um pouco de conforto. _ Marcelo, pode ficar tranquilo que eu a levo. _ Anna minha filha você não prefere passar antes em casa e trocar essa roupa? _ Não pai, por favor me leve até ele. _ Mas você está suja de sangue minha filha. _ Não me incomoda pai, eu preciso vê-lo, eu quero estar ao seu lado, me leve até ele por favor. _ Tudo bem minha filha, eu levo você. _ Marcelo, se precisar de algo me avise. Saímos em direção ao hospital, ainda meio atordoada com tudo que aconteceu. Não tenho nem lágrimas mais para chorar, como tudo pode mudar assim em fração de segundos. Há poucos minutos eu estava vivendo um sonho e agora estou neste pesadelo. O caminho até o hospital parece interminável, o silêncio no carro é interrompido apenas pelo som do motor, e a tensão no ar é palpável. Olho pela janela, observando as luzes da cidade que passam borbulhando em um borrão indistinto. As palavras de Marcelo ecoam em minha mente, e uma sensação de desamparo se instala em meu peito. Chegamos ao hospital militar, e meu pai estaciona o carro com pressa. Descemos apressadamente e sou guiada pelos corredores impessoais do hospital. Cada passo é pesado, como se o chão tentasse me puxar para baixo. Ao alcançarmos a sala onde Karl está sendo atendido, meu coração bate mais rápido. Chegamos ao bloco cirúrgico, mas sou impedida de entrar na sala, vejo Karl pelo vidro deitado na maca, cercado por médicos e enfermeiros. Seu rosto está pálido, e seus olhos, normalmente tão cheios de vida, agora parecem opacos. Uma onda de desespero me afeta, mas eu tento me manter firme. _ Anna, minha filha, você precisa se forte. Meu pai fala, segurando meu braço com preocupação. Assinto, mas é difícil conter a angústia. Me aproximo ainda mais do vidro como se pudesse transmitir dali toda a minha energia e vontade de que tudo fique bem. Os médicos se aproximam e explicam a gravidade da situação, mas suas palavras parecem se perder em um borrão, e eu só consigo fixar meus olhos em Karl, desejando que ele acorde, e que tudo não passe de um terrível pesadelo. Fico ali, ao lado do vidro, durante o que parece uma eternidade. Meu pai, preocupado, fica ao meu lado, oferecendo conforto em silêncio. A incerteza tenta me dominar, mas meu desejo de que Karl se recupere é a chama que mantém a esperança viva em meu coração. Pouco tempo depois chega Raul, avisando que precisou levar a mãe e avó de Karl para casa pois ambas passaram m*l com a situação. A avó de Karl já está bem idosa, e toda essa emoção aumentou sua pressão. Raul é como um filho para elas e conseguiu convencê-las a ir para casa com a promessa de que qualquer notícia ele correria para avisá-las. _ Meu Deus Raul, eu nem consegue falar com elas. _ Não se preocupe Anna, elas vão ficar bem, pedi Thyna que pudesse acompanha-las e elas não ficarão sozinhas, pode se tranquilizar. _ Pediu Thyna? _ Sim, com todo preparativo do seu noivado as apresentei e como Thyna é apaixonante elas se deram muito bem. _ Nossa Raul que bom. Pena que esse momento se transformou nessa tragédia. _ Seja forte Anna, tenha fé. Pense que Karl tem muitas razões para querer viver e ele irá lutar com toda sua força para que isso aconteça. _ Tomara Raul e que Deus queira isso, pois não sei viver sem ele. _ E não vai, acredite. Meu pai que até então estava quietinho apenas olhando Karl pelo vidro, se aproxima de nós. _ Anna minha filha, porque não vamos para casa para você tomar um banho e mudar essa roupa. _ Pai! _ Filha, não estou impedindo você de ficar ao lado dele, estou apenas querendo que você fique mais confortável. Vamos até em casa e eu trago você de volta. Olhos para o meu pai, com os meus olhos marejados de lágrimas, vejo toda preocupação em seu olhar além de todos conforto e carinho por trás das palavras dele e então concordo em ir até nossa casa. No fundo sei que preciso de um momento para mim mesma, preciso tentar organizar minha mente e reunir toda foça para enfrentar tudo que ainda está por vir. Raul me abraça antes de partir, demonstrando seu apoio e me prometendo que qualquer notícia me liga de imediato. _ Vai ficar tudo bem, Anna. Estaremos aqui por Karl, por você, por todos nós. Me afasto acompanhada pelo meu pai e enquanto nos dirigimos para casa, o silêncio novamente toma o ambiente do carro, mas dessa vez é necessário pelo peso da incerteza. Meu pai percebe mais uma vez o meu sofrimento e tenta me confortar da melhor maneira possível. _ Eu sei que é difícil, minha filha, mas precisamos ser fortes agora. Karl é um rapaz valente, e tenho certeza de que ele vai superar tudo isso. Você irá superar. Faço que sim com a cabeça, concordando, mas a angústia ainda está estampada em meu rosto. Ao chegar em casa, dirijo-me imediatamente ao meu quarto, onde ainda está a caixa do vestido que agora está tomado pelo sangue de Karl. Olho mais uma vez para o meu vestido manchado no canto do quarto e me concentro em reunir em forças para enfrentar o que virá. Entro no banheiro, olho minha mão vejo o anel de noivado que Karl me deu e lembro-me de toda emoção que vivi num mesmo dia, permito então que as lágrimas caiam e se misturem à água do chuveiro, levando consigo parte da tensão que estava carregando. Após o banho, troco de roupa e, ao me observar no espelho, percebo uma expressão cansada e preocupada refletida. Respiro fundo, decidida a retornar ao hospital com esperanças renovadas e o pensamento de que tudo se resolverá positivamente, olho novamente para o anel de noivado na minha mão, lembrando-me do momento em que Karl o deslizou em meu dedo com tanto amor e promessas de um futuro juntos. Aquelas lembranças trazem uma mistura de dor e saudade, mas também reforçam uma determinação. Saio do quarto e vejo que meu pai me espera na sala conversando como a minha mãe, como prometido ele está pronto para me levar de volta para hospital e me dar todo amor que preciso nesse momento. Ele apenas me olha, demonstrando que posso contar com seu apoio, dou um beijo em minha mãe e saímos em direção ao hospital.
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