Lia tentava manter a rotina, embora cada batida do coração denunciasse o medo que ela escondia tão bem. Fingia normalidade o café coado, o som leve da água na máquina de lavar, Clara espalhando brinquedos pela sala, mas tudo dentro dela ainda tremia com a presença de Gui. Ele voltara. E com ele, voltara também tudo o que ela tentou enterrar. Clara dançava no meio da sala, os pés descalços, o coque desalinhado e o vestido rodado de bailarina que já perdera o brilho de tanto uso. Tentava ensinar alguns passos para Gui. O riso dela era um raio de sol no meio da confusão que Lia carregava por dentro. — Acho que não sou bom com esse negócio de dança — disse Gui, rindo, disfarçando o nervosismo que o corroía. — Mas posso te ensinar umas manobras novas? Clara parou, os olhos acesos. — Va

