Os dias seguintes pareceram silenciosos demais. Desde aquela noite da chuva, algo havia mudado entre eles, entre os olhares, nas palavras ditas e nas que não precisavam ser. Gui ficava por perto. Dizia que era por Clara, mas Lia sabia que havia mais. A forma como ele a observava quando ela falava com a filha, o cuidado com que ajudava no estúdio, a atenção aos detalhes, tudo nele gritava o que as palavras ainda não ousavam dizer. Naquela tarde, o sol entrava pelas grandes janelas do estúdio, dourando o chão de madeira e os cabelos soltos de Lia. Ela ajeitava alguns papéis, preparando as turmas da próxima semana, quando sentiu o olhar dele sobre si. — Sabe o que é engraçado? — disse ele, quebrando o silêncio. — O tempo passou, mas eu ainda lembro do cheiro do seu perfume naquela noit

