A risada alta de um outro casal é o que faz Gabriela quebrar o momento. — É... Hã... Sua vez de mostrar a folha. – Aponta ela. Eu viro o papel em branco para ela que fica olhando sem entender. — Não consegui pensar em nada. – Explico. — Talvez eu colocasse aqui algo relacionado a minha mãe mas não sei se posso considerar como um sonho algo que estou prestes a perder. Não me parece inteligente. Só me dou conta do peso das minhas palavras quando o rosto de Gabriela reflete tristeza e compaixão. — Eu sinto muito. — Não sinta. Não quero sua pena, não devia ter dito. — Não, eu não sinto pena. Não de você. – Gabriela se mexe no lugar, desconfortável. — Eu só... Por que não colocou outras coisas? Deve ter alguma outra coisa que você ainda queira fazer na vida. Ela tenta mudar de assunto.

