Após o encontro na cafeteria Júlio e Mikaella mantiveram contato todos os dias.
Eles conversavam pelo telefone, iam ao teatro, cinema, e saiam para jantar.
Ela sentia que estava vivendo seu conto de fadas, e Júlio era finalmente seu príncipe encantado.
Cada vez que contava as amigas que iriam sair com ele, elas a repreendiam.
—Esse cara não é pra você!
Alertava Betina.
Mikaella simplesmente ignorava o alegra da amiga.
—Tem certeza de que é o momento certo amiga? Talvez vocês devessem se conhecer melhor, eu não sei se confio nesse cara.
Comentava Leona.
Elas eram amigas desde a faculdade, onde David as apresentou.
Leona e David se conheceram primeiro e Mikaella sempre desconfiada que sua amiga tivesse uma queda por seu irmão, que na época era o professor dela, então seria totalmente antiético um relacionamento entre os dois, ainda mais pra Leona que era a garota mais certinha que ela havia conhecido.
Sua amiga jamais se envolveria com o professor, ainda mais quando esse professor tinha a fama de não levar nehuma mulher a sério.
Fama essa que Mikaella sabia não ser verdadeira,mas David não se importava, já que naquele momento ela não queria começar nenhum relacionamento, sendo assim, Leona estava fora do jogo.
Leona e Betina foram apresentadas na formatura de Mikaella e a conexão entre elas foi imediata, mesmo que não tenha sido o tipo de conexão que Betina certamente desejava.
Desde que se juntaram as três se tornaram inseparáveis, nenhum problema, oi relações as havia separado, até aquele momento.
Mikaella estava cega, surda e muda, ela ignorava qualquer conselho dado pelas suas amigas, e a cada dia ela se envolvia mais no romance com Julio.
Ela não poderia dizer que discordava de tudo o que as amigas diziam.
Ela confiava plenamente em Julio?
Claro que não!
Na verdade ela não se permitia confiar há um bom tempo, já que seus relacionamento anteriores haviam sido uma decepção atrás da outra, e muitos de seus ex haviam traído sua confiança.
Talvez por isso, dessa vez ela só quisessem fechar os olhos, e ignorar qualquer resquício de sanidade, qualquer coisa que a fizesse mergulhar na dor novamente, e sofrer de verdade pela morte de sua mãe.
Naquele momento era disso que ela precisava, de uma ilusão, uma simples miragem contra o sofrimento..
***
Mikaella viu seu luto aparentemente passar ao lado de Júlio, os dois estavam vivendo em um conto de fadas moderno.
Eles saiam sem rumo, dançavam, bebiam e faziam amor a luz do luar.
Era um verdadeiro conto de fadas e Mikaella não queria acordar, mas, infelizmente todas as segundas, ela precisava voltar ao seu cubículo cinzento no centro da cidade, afinal o aluguel de seu apartamento não se pagaria sozinho e ela nunca foi mulher de depender de ninguém, mesmo sendo a herdeira da Fortuna Vergara, sua mãe havia deixado metade de tudo para ela, e a outra metade para seu irmão, ela estranhava o fato de que nada tivesse sido deixado para o pai, mas, sua mãe sempre foi uma mulher sensata e deveria ter seus motivos pra isso.
Para não ser dependente apenas da herança deixada por sua mãe, Mikaella fazia questão de se sustentar por conta própria.
Ela só sofria por estar um pouco distante de suas amigas.
Com o trabalho no escritório m*l sobrava tempo para sair e o tempo que sobrava ela passava ao lado de Julio, ele era sempre atencioso e lhe dizia coisas lindas.
Ela sequer se preocupava com o fato de em dois meses juntos eles não terem oficializado o namoro..mas ela entendia afinal, conhecer seu pai não seria uma missão nada fácil. Sua mãe sim era encantadora e com certeza adoraria o jeito galanteador de Julio.
Mas, talvez ela não concordasse com o fato dele ainda não estar trabalhando..Ela sempre dizia que o homem precisava trabalhar, mesmo que a mulher também trabalhasse ela dizia:
-Homem que não gosta de trabalhar, boa coisa não é minha filha.
E Mikaella morria de rir.. ela vinha pensando tanto em sua mãe ultimamente.. tanto que seu coração estava cada vez mais apertado, ela sentia que não estava sendo a mulher de quem sua mãe se orgulharia.. Não estava vivendo os seus sonhos, não trancada naquele escritório.. com todos àqueles processos empoeirados tendo que digitar um milhão de relatórios tediosos. Ela desejava mais, e ela poderia ter mais.
"Você pode ser qualquer coisa minha pequetita".
Era o que sua mãezinha dizia.. A
vida de Mikaella sempre foi pautada no sonho de seu pai para ela.
Cursar faculdade de direito, quando na verdade ela adorava literatura, ter que ler livros jurídicos, quando só o que ela desejava era um romance.
Usar um terninho comportado, quando ela adorava ser livre, usar decote e batom vermelho.
Após a morte de sua mãe, seu sonhos adormeceram, ela não via sentido em tentar realizá-los sem que sua mãe pudesse ver, então ela seguiu os planos de seu pai a risca, e abandonou os seus sonhos, viveu os sonhos de outra pessoas por anos, e agora continuava fazendo isso, enquanto seu peito ardia por emoção, ela trabalhava em, um pequeno cubículo no centro da cidade e vivia cercada de trabalhos que não gostaria de ler.
Tudo ia tediosamente bem até o dia em que ela conheceu Julio naquela cafeteria.
Ele era um pintor, lindo, sedutor, e desempregado, mas afinal ele era um artista, um sonhador como Mikaella,ele apoiava seus sonhos, e sempre lhe dizia:
Eu vejo fogo em seus olhos Mikaella .
E Mikaella acreditou, se afastou da família, se afastou de suas amigas, já que elas sempre encontravam defeitos em Julio que ela nunca havia enxergado, ela teve uma briga com Betina exatamente por causa da implicância que ela parecia ter com ele.
Implicância que ela entendeu quando Julio sendo sincero contou a ela que Betina implicava com ele por causa da relação dos dois no passado.. Algo que Betina nunca havia lhe contado. E isso abalou a amizade das duas.
Leona e Betina diziam que Mikaella estava cega, mas, ela ignorava..
.. Porque mesmo que Julio tivesse mil defeitos, em uma coisa ele estava certo: Ela tinha um fogo no peito,
Ela sabia que tinha esse fogo dentro de si, e que aquele fogo estava se apagando aos pouquinhos, estando trancada naquele minúsculo escritório, enquanto vivia a vida de outra pessoa.
Ela precisava de uma mudança, uma mudança real, uma mudança de pensamento, de atitude, de vida!