CAPÍTULO 7

653 Words
CAPÍTULO 7 Narrativa do Autor O morro estava em polvorosa. A semana passou voando, e finalmente chegou a sexta-feira, dia de baile. O som já estava estralando, as luzes coloridas iluminando todo o morro, e a multidão começava a se juntar. Quem estava lá, mandando na segurança, organizando tudo, era o Kaique. O Subchefe. O braço direito do Lenon. O segundo homem mais poderoso de todo o Salgueiro. Kaique é daqueles homens que chamam atenção de longe. Alto, corpo atlético, pele morena clara, cabelo preto sempre bem cortado, e um sorriso safado que derrete qualquer mulher. Ele é lindo, parece um modelo, mas tem uma fama de ser o maior galinha, o maior mulherengo que já pisou nesse morro. Ele não n**a trabalho nenhum, está sempre com uma diferente, e faz cada uma delas se sentir a única. Mas por trás dessa cara de mau e desse jeito brincalhão, existe uma lealdade que não tem preço. Kaique é irmão de criação do Lenon, cresceram juntos, tomaram tiro juntos, e ele daria a vida dele pelo dono do morro sem pensar duas vezes. Ele sabe de todos os segredos, de todas as dores, e é o único que pode falar a verdade na cara do Lenon sem levar um tiro. — Tudo tranquilo, chefe? — perguntou Kaique, chegando perto do camarote principal, já com uma garrafa de vodka na mão e umas duas novinhas já grudadas nele. — A segurança tá toda posicionada, ninguém entra sem ser chamado. Lenon estava de pé, olhando para a multidão, com a cara fechada. — Tudo tranquilo, irmão. Só vim curtir um pouco, fugir um pouco daquela casa, daquela mulher que só sabe me encher o saco. Todo mundo sabe como funciona. O Lenon sempre vem sozinho pro baile. Ele não leva a Luana, não leva ninguém. Aqui dentro, ele é o rei, e ele gosta de curtir, de ficar com quem ele quer, de entrar no quartinho reservado do camarote e sumir um pouco com alguma mulher que lhe desperte o interesse. Kaique faz a mesma coisa, os dois são assim, mandam e ninguém manda neles. A festa estava pegando fogo, funk alto, gente dançando, bebendo, até que de repente... O som pareceu diminuir na cabeça de todo mundo. Ela chegou. Morena Flor subiu as escadas do camarime devagar, com aquele rebolado marcado, com aquele corpo que agora parecia ainda mais perfeito. Ela estava deslumbrante. Vestia um vestido curto, justinho, brilhante, que marcava cada curva do seu corpo, decotado, mostrando a sua pele preta brilhando sob os holofotes. Cabelos lisos, pretos, caindo pela costa, make impecável, salto alto que deixava ela ainda mais poderosa. Ela não parecia uma ex-detenta. Ela parecia uma rainha. Os homens pararam tudo. Os olhares foram todos para ela. Assanhados, curiosos, com vontade. — Nossa, olha ali... — Minha nossa, que mulher é essa? — É a Morena... Nossa, como ela ficou linda, meu irmão! Kaique ficou de boca aberta, olhando, e deu um tapa forte no ombro do Lenon. — c*****o, chefe! Essa mulher é um monumento! Meu Deus, como ela ficou gostosa! Quase tive um treco aqui! Mas Lenon... Ele não riu. Ele não achou graça nenhuma. Ele agarrou forte o copo que estava na mão, os nós dos dedos ficaram brancos. Ele sentiu um negócio r**m subindo pela cabeça, um calorão, um ódio mortal de ver todo mundo olhando para ela, de ver todo mundo babando na mulher que é dele. Ciúmes. Muito ciúmes. — Cala a boca, Kaique! — rosnou Lenon, com a voz grossa, os olhos faiscando de raiva. — Não fica aí babando não! Ela é minha! E ninguém vai botar a mão nela! Ele deu um gole só na bebida, e continuou olhando para ela, que agora estava parada, de cabeça erguida, olhando diretamente para ele, com um sorriso de desafio nos lábios. O jogo tinha começado de vez. E dessa vez, ia ser pegando fogo.
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