Capítulo 1 parte 3

654 Words
Angel Ele nem me deixou terminar de falar e saiu. — Calma, senhora Angel, ele tem coração de pedra mesmo — disse Rosa. — Mas eu não vou ficar escutando asneira só porque ele é assim — respondi, brava. Subi para o quarto, peguei minha bolsa e um casaco de lã, calcei luvas, botas e saí daquela casa. Queria conhecer aquela cidade fria, que tanto se parecia com meu marido. Pedi um carro por aplicativo e fui até o centro da cidade. Estava nevando, o que deixava tudo lindo. Entrei em uma grande livraria e comecei a rodear pelas estantes. De repente, escutei uma voz. — Olá. — Era um homem alto e muito bonito. — Olá — respondi. — Você é nova na cidade, não é? — Sou sim. Qual é o seu nome? — Adrian. E o seu? — Meu nome é Angel. Vim aqui para ver alguns livros interessantes de romance. — Eu posso te mostrar alguns bons. Na terceira prateleira há alguns livros da autora Tessa Dare e na quarta estão os livros da série Cinquenta tons de cinza. — Queria uns livros mais leves — respondi rindo, com vergonha. — Você conhece bem os livros aqui. — Conheço mesmo, porque sou o dono da livraria. Ficamos conversando por um tempo, enquanto eu folheava alguns livros que ele havia me indicado. Quando olhei o relógio, já passava das dez da noite. Charles Rosa começou a bater na porta e a me chamar. Odiava ser interrompido. — O que foi, Rosa? — Senhor Charles, a senhora Angel saiu desde cedo e não voltou até agora — disse ela abrindo a porta preocupada. Rosnei de raiva. Como ela saiu sem me avisar? Tinha que ir atrás dela, não porque estava preocupado, mas sim porque se acontecesse algo com ela, a responsabilidade seria minha. Como ela pôde sair naquele frio? Estava nevando em toda a cidade. Peguei meu sobretudo e fui atrás dela. Liguei para meu assistente e pedi o número dela, pois eu não o tinha. Depois liguei para Angel, que me atendeu. — Por que você está na rua até essa hora? — perguntei irritado. — Desculpe, eu perdi a hora. Estou na livraria no centro da cidade. Dirigi até o local com muita raiva. Chegando lá, vi que ela estava muito bem acompanhada, conversando com um homem alto e elegante. Não havia mais ninguém além dos dois. — Boa noite, senhor. Por que sua livraria está aberta até agora e você está aqui sozinho com uma mulher casada? — perguntei furioso. — Desculpe. Ela estava tão entretida com os livros que não quis atrapalhar — respondeu ele. — Charles, é culpa minha, eu perdi a noção do tempo — disse Angel. Puxei-a pelo braço, coloquei-a no carro e levei-a para a casa. Passamos o caminho inteiro em silêncio. Chegando em casa, levei-a até uma gigantesca biblioteca que ficava na mansão. — Aqui temos uma biblioteca, você não precisa ir até o centro da cidade para procurar livros. Percebi que ela ficou animada, olhando para todos os lados. Aquilo mexeu um pouco comigo, não sabia que ela gostava de livros. — Faz dois dias que cheguei à mansão. É muito grande, não tive tempo de explorar tudo. Não acreditava muito nela, mas não retruquei. Ela tentou pegar um livro que estava no alto de uma prateleira, mas não o alcançou. Cheguei por trás dela para ajudá-la e pude sentir o cheiro de seu cabelo. Era agradável e doce, um cheiro de rosas. Peguei o livro sem dificuldade, ela se virou para frente e ficou cara a cara comigo. — Obrigada — disse Angel baixinho. O rosto dela estava vermelho de frio. Eu não me contive e passei a mão na bochecha dela. Senti como se meus dedos queimassem, não por ela estar gelada, mas sim quente. Eu só podia estar ficando louco. Não queria me deixar levar, então saí dali abruptamente.
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