Pov Jacob
Enquanto corríamos juntos em meio às árvores, pude sentir como meu corpo irradiava tranquilidade e alegria que eu não sentia havia dias. Acho que se àquela altura Nessie não tivesse aparecido, eu com certeza atrapalharia o turno de rondas noturno - como eu estava fazendo agora, só que de dia - e iria até a casa dos Cullen para vê-la, tamanha era a minha saudade. Mas agora que ela estava aqui, que eu a via, que podia ouvir o som rápido de seu coração e sentir o fluxo de ar que entrava e saía de seus pulmões, as coisas pareciam voltar para ao seu lugar, como se até o momento o mundo tivesse perdido a gravidade e tudo estivesse flutuando sem rumo a minha volta, de vez em quando alguna coisa batendo na minha cabeça, mas sem eu nunca conseguir agarrar nada, pois também flutuava debilmente. Agora com Renesmee, tudo havia retornado ao seu ponto central, e eu podia fazer o que quisesse, nada podia escapar das minhas mãos.
Então, como se para demonstrar minha necessidade, peguei sua mão quente e corremos lado a lado.
- Você pretende conversar em outro país para garantir que ninguém escute seus gritos? - a ouvi, com o som doce de sua risada nervosa fazendo minha pele formigar.
– Gritos?
– Gritar comigo por ter aparecido sem avisar e causado toda aquela confusão com a loba.
– Eu jamais faria isso. Se você não desse as caras eu mesmo iria arrombar a porta do chalé.
Voltei a prestar atenção para onde ia. Não havia nada além de milhões de árvores iguais, mas reconheci alguns galhos retorcidos e sabia que já havia estado ali antes.
- Tem um lugar bem bacana que encontrei sem querer há alguns dias, você vai adorar – disse.
Ela não disse mais nada e então seguimos em silêncio por mais alguns quilômetros. Eu me perguntava o que ela estava pensando, já que minha linha de raciocínio não tinha muita novidade, estava constantemente preenchida por Nessie, Nessie, Nessie. Até a matilha estava ficando de saco cheio comigo e reclamavam sempre que eu me perdia em pensamentos. Eu tentava evitar, é claro, não gostava dessa parte de ser lobo nenhum pouco - da exposição excessiva - mas estava ficando cada vez mais difícil evitar pensar nela, como se a distância fizesse com que o imprinting latejasse como uma ferida inflamada.
- Estamos chegando? - perguntou ela, com uma pitada de ansiedade na voz.
- É bem ali - apontei para o conjunto de pedras cobertas de limo bem a frente.
- Você quer conversar em cima de uma pedra? - perguntou e vi que ela segurava uma risadinha. Como eu amava seu humor espirituoso.
- Você verá.
A puxei pela mão e a guiei até uma pequena caverna que se abria em meio às pedras, imperceptível de vista ao longe. Nesse ponto tivemos que abaixar as cabeças e andar quase engatinhando para mais adentro, a claridade do dia ficando para trás.
- Você está me levando para um túmulo, por acaso? - disse Nessie e sua voz emitiu eco nas paredes, preenchendo todo o ambiente.
- Pare de ser curiosa, você vai ver.
Ela não disse mais nada, apenas soltou um risinho abafado.
A guiei por mais uns vinte metros até o chão começar a se inclinar sob nossos pés. Descemos mais um pouco até eu avistar a pequena luz que surgia no meio das pedras.
Ao chegar no fim do caminho saltei para dentro da grande a******a e a peguei nos braços para que pulasse também.
Ela emitiu um pequeno arfar e encarou o espaço que se abriu à nossa frente. Há poucos metros de onde estávamos um pequeno lago subterrâneo preenchia o ambiente, abraçado por rochas calcárias grandes e cinzentas. Logo acima de nossas cabeças uma a******a na caverna permitia uma pequena luz intrusa, mas preenchia parcialmente todo o ambiente.
- Uma gruta - sussurrou Renesmee. - Não sabia que existiam nessa parte do país.
- Eu também não, mas encontrei essa aqui quando estava perseguindo um cervo para o almoço.
Ela olhou para mim com uma intensidade indecifrável.
- É lindo - sussurrou.
Não fosse pelo pequeno espaço ou pela falta de iluminação, mas o ar parecia mais condensado naquele lugar, ou será que eu estava sem fôlego? Só podia ser, observar como a luz da água refletia no rosto perfeito daquela garota e dançava em sua pele era magnífico.
Que saudade, mas que saudade louca eu sentia dela.
Então de repente sua expressão entristeceu.
- Se eu soubesse que ela reagiria daquele jeito, nunca teria ido até sua casa.
Ah, ela ainda estava abalada com o que aconteceu com Mia, não era de se surpreender, até porque não é todo dia que vemos alguém quebrar o corpo inteiro na nossa frente.
Imediatamente senti que ela precisava de conforto, mas não queria demonstrar fraqueza. Coisas que o imprinting nos proporciona, a capacidade de sentir o que o outro deseja e o impulso de atender.
- Vem cá, me escute - me abaixei um pouco para ficar com o rosto na sua frente. Lembrei que fazia muito isso quando ela era criança, mas agora eu não precisava me curvar nem quinze centímetros - Mia está apenas com dificuldade de se adaptar, mas já conversamos sobre isso e ela sabe da relação da matilha com sua família. Foi erro dela agir daquela forma.
- Não, foi erro meu. Carlisle já tinha me alertado para não encontrar com ela, só não sabia que ela estava na sua casa. Sou uma i****a.
Ergui uma das sobrancelhas e sorri.
- As vezes sim, mas no geral você não é i****a.
Ela empurrou meu corpo pra longe e riu. Consegui, era o que eu queria, seu sorriso maravilhoso de covinhas.
- Mas enfim, o que você foi fazer em La Push?
- Te ver, é lógico.
O tom dela sugeria que essa era a resposta mais óbvia do mundo, mas ainda assim não consegui segurar o grande sorriso que apareceu em meu rosto.
A puxei pela mão e sentamos em uma das rochas que serpenteavam o lago.
- Bem, estou bem aqui agora - dei de ombros.
- Ah, nem vem! Você precisa me contar o que eu perdi.
- O que você perdeu? Quem perdeu tudo foi eu. Mas antes de qualquer coisa eu quero te pedir desesperadamente que me perdoe por não ter ido ao Brasil.
Eu esperava que a intensidade do meu olhar transmitisse toda a minha sinceridade e culpa por deixá-la.
- Jacob, pelo amor de Deus, não tem o que perdoar! Olha só tudo que você enfrentou.
Revirei os olhos. Esse era o típico comentário que ela faria, sempre empática.
- Tá certo. Como nada que você fale vai me fazer sentir menos b****a, melhor pularmos essa etapa. Agora me conta, como foi a viagem?
- Ah Jake, você iria amar o Brasil, pensei em você o tempo todo...
Então fiquei um bom tempo ouvindo sobre sua viagem, a obrigando a não me poupar de nenhum detalhe. Ouvi sua descrição de como era o lugar, a comida e a companhia dos outros vampiros. Prestei atenção principalmente na parte das perguntas que fizeram a irmã do híbrido Nahuel e confesso que fiquei decepcionado, assim como Renesmee, por não descobrirem nada de muito relevante sobre sua espécie. Vez ou outra a interrompia para fazer alguma pergunta, que ela sempre respondia com muito entusiasmo.
- Então foi isso - disse, por fim.
- Parece que foi bem interessante fazer novos amigos.
- Ah sim, foi ótimo. Nahuel foi super simpático, ele ficou intrigado com nosso estilo de vida. Não o julgo, ele teve um nascimento complicado.
Franzi a testa. Ainda bem que aquele híbrido morava no quinto dos infernos. Tenho certeza que não passou despercebido a ele que Renesmee era a única fêmea da sua espécie que não era sua irmã.
- Mas agora quero saber das coisas aqui. Minha família me contou o que houve, mas não imagino como deve estar sendo difícil lidar com tudo isso.
Dei um suspiro cansado e peguei as mãos dela nas minhas.
- No começo foi um completo caos para arrumar toda a bagunça enquanto tentávamos caçar o vampiro, mas agora as coisas estão começando a voltar pro lugar.
- E quanto a garota lobo?
- Mia estava quase se recuperando, já conseguia voltar a andar, mas agora… bem, você sabe. Ela está sendo bem difícil para aceitar nossos costumes, principalmente no que diz respeito a sua família. Mas quanto ao resto está lidando de forma impressionante, para dizer o mínimo, digo, com relação ao que aconteceu com a mãe dela e makah. Não sei para onde ela vai depois que se recuperar, mas seria bom ter uma mente forte como a dela na matilha.
- Ah, não tenho dúvidas de que ela vai se juntar ao bando, para onde mais iria?
- Isso eu não sei, mas ela ainda não nos escolheu.
- Ela te disse isso?
- Não, mas quando ela estava transformada e prestes a te atacar, não consegui ler sua mente, então sei que ela não é fiel ao bando ainda.
- Hum...
Renesmee refletiu por alguns instantes e eu também, imaginando a liberdade que deve ser ter os pensamentos livres e isolados, sem que outra pessoa soubesse de todos os seus segredos, sentimentos e intimidades. Eu no lugar de Mia aproveitaria tudo isso e não me juntaria a matilha alguma. Mas por outro lado eu não poderia ignorar a vantagem de tê-la como m****o do bando. Sua forma de lobo era bem impressionante, alta e forte. Se ela fosse tão rápida quanto qualquer um de nós, eu até poderia poupar alguns membros novos, aliviando a carga de trabalho deles, não queria que eles tivessem que deixar a escola como eu havia feito anos atrás.
Senti Renesmee tão relaxada em meus braços que a abracei instintivamente. Ela repousou o rosto no meu ombro num encaixe perfeito e começou a cantarolar baixinho e o som melodioso preencheu todo o ambiente.
- Esse lugar é perfeito - disse ela depois de algumas músicas.
Fiquei admirando a gruta, que era realmente impressionante. Pequena, isolada e levemente iluminada. O pequeno raio de sol que entrava pelas frestas dançava no lago e proporcionava um brilho esverdeado de tirar o fôlego. Os estalactites que pendiam do teto causavam sombras na água e formavam vários desenhos difusos.
- Se você gostou do lugar então ele vai ser só nosso - disse e minha voz saiu rouca.
Renesmee sorriu.
- Muitas coisas são só nossas.
Fiquei em silêncio por alguns instantes, sabia que aquela conversa estava nos conduzindo a um caminho delicado. Eu estava doido para acabar logo com esse impasse e agarrá-la ali mesmo, mas sabia que para ela devia ser muito confuso, então decidi avançar com cuidado.
- Tem razão, inclusive o que eu sinto por você. É único.
Ela levantou a cabeça devagar e me encarou nos olhos.
- E o que você sente exatamente?
Eu sabia! Tinha certeza que ela iria testar meus sentimentos primeiro, estudar o terreno, ela precisava disso.
Essa era a hora, eu não podia errar, estávamos finalmente dispostos a ultrapassar aquela linha, que foi testada e esticada tantas vezes, mas agora tudo o que guardávamos precisava ser traduzido em palavras.
- Sinto que você é a pessoa mais importante da minha existência e que desde a última vez que nos vimos eu não penso em outra coisa a não ser te beijar de novo.
Ela arfou, sem fôlego, provavelmente não esperava que eu fosse tão direto assim. Mas eu estava orgulhoso de mim mesmo. Nunca fui de palavras, mas de atitudes. Tudo bem que o que eu disse não tinha sido nenhuma frase célebre de cinema, mas era a mais pura verdade e resumia bem o que eu senti naquele momento.
- Jake, mas… você não acha isso estranho? Quer dizer… nós dois?
Fiquei confuso por um momento.
- Como isso pode ser estranho?
- Fala sério Jacob, não faz muito tempo que eu ainda era uma criança.
- Mas isso porque você cresce rápido e… peraí - fiquei paralisado de imediato - você não acha que eu esteja sendo…? - nem consegui terminar a frase, tamanha era a repulsa que surgiu em mim.
- O que?
Renesmee ficou em silêncio por meio segundo, sem entender, mas logo seu rosto assumiu uma expressão de puro choque.
- Por Deus! Não! Não… tire isso da sua cabeça imediatamente. Você é a pessoa mais íntegra que eu conheço.
Suspirei de alívio. Eu também era um tapado, não devia supor que ela pensasse algo desse tipo de mim.
- Me perdoe, eu sei não era isso que você quis dizer.
Ficamos por um momento num silêncio constrangedor, até que a minha impaciência venceu todo o resto.
- Então você acha que um "nós" é estranho? - perguntei.
- Você não acha? Quer dizer… nunca pensei em você de outra forma que não fosse como um irmão, e acredito que você também pensava isso de mim… Mas de repente, por alguma razão desconhecida, nós…
- Nos agarramos como dois loucos sedentos? - completei sorrindo e ela ficou corada.
- Não consigo entender de onde isso veio - confessou, arqueando os ombros, numa postura cansada.
Eu fiquei em silêncio, não porque não tinha o que dizer, pelo contrário, tinha até demais, mas não poderia responder a ela sem que entregasse mais as coisas.
Porque eu conseguia entender a origem de toda aquela impulsividade. Eu era quem Renesmee precisava e sempre seria assim. Até pouco tempo atrás um melhor amigo, um irmão… mas conforme ela foi crescendo e se desenvolvendo, inconscientemente sua natureza precisava de um companheiro, e era isso que eu estava me tornando a cada dia.
A verdade era que eu andava pensando muito a respeito do imprinting, em como o fenômeno agia. Nessie não precisava dizer nada do tipo "ok, agora preciso de um namorado" ou eu mesmo pensar "hum… acho que agora é a hora". Tudo acontecia com tanta naturalidade e sem nem ao menos notarmos que, quando dávamos conta, bum! Uma paixão louca e urgente estava alí.
Eu já tinha decidido que não contaria a ela sobre o imprinting, mas de vez em quando precisava me lembrar do motivo. Eu estava sustentando esse segredo por tempo demais, tanto que se contasse agora estaria arruinando tudo entre nós, porque ela nunca me perdoaria por esconder algo tão importante. Ela ficaria arrasada e isso eu não podia suportar.
Se no passado ela tivesse adivinhado por conta própria, eu poderia simplesmente dizer que ainda não havia contado porque não achava que ela estivesse pronta, e tudo certo, vida que segue. Mas eu nunca entendi porque Renesmee nem sequer cogitou essa possibilidade, mas me sentia aliviado de certa forma, uma vez que nunca tive coragem de contar. Contudo eu estava realmente convencido de que, no final das contas, ela não precisava saber mesmo, eu a faria sentir a mulher mais especial e amada do mundo e viveríamos a eternidade juntos e felizes, e isso era mais que o suficiente para mim.
O suspiro que Renesmee soltou me tirou da minha discussão interna. A olhei e percebi que estava torcendo as mãos nervosamente sobre o colo.
- Está tudo bem?
Ela mordeu os lábios de nervosismo.
- Jake, eu não gosto de monólogos, muito menos rodeios… então preciso perguntar de uma vez.
- O que quiser - disse, sem pensar.
- E você precisa me responder com muita sinceridade.
Fiquei paralisado, não sabia o que viria a seguir, ela era esperta demais, eu sempre tinha medo de que sacasse as coisas de repente, mas como eu não havia outra alternativa a não ser a honestidade, apenas assenti com a cabeça.
Vi que ela respirou fundo algumas vezes, os olhos nem piscavam ao me encarar.
- Você me quer?
Soltei o ar que nem sabia que estava prendendo. Aquela resposta era a mais fácil do mundo de lhe dar. Tão fácil que chegava a ser engraçado, e de fato ri, um riso até descontrolado.
Vi que seu rosto se transformou em uma máscara de choque.
- Muito obrigada por responder com tanta sinceridade.
- Não, desculpe - falei entre as gargalhadas de cachorro, tentando me controlar.
- Não imaginei que isso seria tão engraçado.
Ela estava verdadeiramente ofendida, tanto que começou a se levantar, eu segurei pelo pulso.
- Ei, onde você pensa que vai?
- Me solta.
- Renesmee Carlie Cullen - ela parou de tentar puxar o braço e me encarou com olhos intensos - Eu não apenas quero você, eu quero nós, eu quero a gente.
Se foi a sua respiração ou a minha que falhou, eu não sabia, apenas ficamos ali nos encarando por um bom tempo.
- Jura? - sussurrou ela.
- Por Deus! - gritei, pulando de um salto da pedra e a assustando - Como você pode duvidar disso? Achei que fosse mais esperta.
Ela deu um pequeno sorriso tímido. Não resisti a tentação de provocá-la ainda mais e baixei meu braço até a água para jogar uma boa quantidade sobre ela.
Mais uma vez ela se sobressaltou.
- Ah Jake, seu i****a! Você me deixou toda molhada - reclamou olhando para as próprias roupas.
Estremeci e soltei o ar com força.
- Pelo amor de Deus Renesmee, você não pode me dizer uma coisa dessas, o meu cérebro frita.
Ela ficou vermelha como um tomate e abaixou os olhos para o chão, depois chutou uma quantidade considerável de água em mim, retornando a brincadeira.
A agarrei pela cintura antes que ela escapasse e a puxei para meu peito.
- Não esperava que a trouxesse aqui sem a intenção de te dar um banho, esperava?
- Você é um i****a. Deixe que eu ao menos possa prender o cabelo e tire a calça jeans… AH!
Não deixei que ela continuasse, passei o braço pelas suas pernas e a ergui no ar, depois dei um rodopio longo e a atirei como um saco de batatas no lago. Seus gritinhos cessaram quando seu corpo afundou, mas em meio segundo ela estava de volta à superfície, completamente ensopada.
- Jacob Black, você é um homem morto.
- Rá, e é você vai realizar tal feito? - a provoquei.
Ela pensou por um instante, tamborilando os dedos na bochecha enquanto caminhava até mim, a água a cobrindo até a cintura.
- Provavelmente, mas me sinto na obrigação de torturá-lo antes.
Ergui uma das sobrancelhas e fiquei ali esperando pelo seu ataque, um pulo, um empurrão, qualquer coisa… menos por aquilo.
Ela me observava atentamente enquanto chegava mais perto, mais perto… tão perto que seu rosto estava a centímetros do meu. Ela ergueu a mão e eu aguardei no mínimo um puxão de cabelo, mas ela começou a passar a ponta dos dedos levemente em meu rosto até o pescoço, causando arrepios em mim. Depois ela mesma começou a circular ao meu redor, como uma serpente prestes a dar o bote, os dedos nunca deixando minha pele. Minha respiração estava muito pesada àquela altura.
Quando parou nas minhas costas, senti suas mãos começarem a acariciar meus ombros, subindo e descendo pelos meus músculos. Muito devagarinho foram para frente do meu peito, desceram até o abdômen e… Meu corpo enrijeceu imediatamente e virei abruptamente para ela, agarrando seus pulsos e a pegando desprevenida.
Observei hipnotizado como seus cabelos molhados moldaram sobre seu corpo, e perdi o fôlego quando notei que sua camisa branca também estava colada e transparecia a forma de um sutiã preto por baixo da roupa. Meu sangue ferveu dentro de mim, na verdade quase entrou em estado de ebulição. Ela era uma deusa da beleza e eu apenas um fraco servo, podendo a qualquer momento cair de joelhos a seus pés se não estivesse com os braços presos tão firmes em volta do seu corpo. Nossos corações batiam com tanta intensidade e nossa respiração era tão pesada que quase nossos p****s se tocavam com o movimento.
Num lampejo involuntário, ergui uma das mãos e joguei seus cabelos para as costas, expondo todo o pescoço pálido. E como se um ímã me puxasse, fui de encontro aquele pequeno ponto e o beijei devagar. Nossa, como era maravilhoso. Seu perfume estava mais intenso por causa da água. O fogo mais uma vez se manifestou dentro de mim. E então ela gemeu em meu ouvido e nenhum som no mundo parecia tão perfeito e enlouquecedor como aquele, nem mesmo o som de sua voz, nem mesmo quando ela cantava.
- Jake - sussurrou pesadamente.
Voltei a erguer o rosto para encará-la. Seus olhos de chocolate queimavam, um espelho do que estava acontecendo dentro de mim.
- Devo parar? - perguntei, esperando suas ordens.
Ela se espantou por uns instantes.
- Enlouqueceu?
Então pulou em cima de mim, me prendendo ao cruzar as pernas em volta da minha cintura e colando a sua boca na minha sem hesitar. Naquele momento a água do lago poderia começar a borbulhar, tamanho era o calor que sentíamos. Passei minhas mãos pelas suas costas, acariciando ferozmente. O beijo era quente e sedento, com lambidos, gemidos e mordidas para todo o lado, um tentando aproveitar o sabor do outro o mais desesperadamente possível. Não conseguimos ser gentis ou graciosos, a urgência do nosso desejo não permitia, estávamos simplesmente apreciando e atiçando a ardência ao nosso redor. Com a pele ainda em chamas, eu a abracei apertado, porém a camisa que ela vestia não me fazia sentir sua pele o suficiente, então passei as mãos pela sua nuca até a raiz dos cabelos, prendendo com vontade entre meus dedos, puxando-os levemente. Recebi um gemido gostoso e alto em resposta, e o louco dentro de mim ficou ainda mais descontrolado.
Meu corpo implorava pelo dela, ameaçando minha concentração. Podia não parecer, mas - apesar da energia com que nos atracávamos - eu estava fazendo um esforço enorme para não arrancar todas as suas roupas e possuí-la ali mesmo. Ela parecia padecer da mesma loucura que eu porque, em meio aos espasmos de seu corpo, ainda tentava puxar minha camisa com os dedos, arranhando levemente minhas costas do processo, causando mais arrepios. A ajudei, me afastando um pouco e permitindo que ela terminasse o processo. Ela encarou meu peito nu por alguns instantes, os olhos vibrados de paixão, a boca levemente entreaberta, e, antes mesmo que eu voltasse a morder aquele lábio delicioso, vi que ela abria os primeiros botões da própria camiseta. Mas eu estava impaciente, impaciente e faminto, então peguei as duas partes da peça e puxei em um único movimento, fazendo voar alguns botões. E ali estava, parte da visão do paraíso. A renda preta se destacava com o tom claro de sua pele, e um gemido saiu de dentro de mim sem que eu pudesse contê-lo. Renesmee voltou a me abraçar, me beijando de novo enquanto eu ainda tentava tirar dela aquela camisa maldita, conseguindo finalmente puxar de seus braços.
Nossa, como eu a desejava. Não acreditava que existia uma pessoa sequer que tenha desejado mais alguém como eu naquele momento, era enlouquecedor. Tudo em mim era calor e a maior parte dele estava concentrado num ponto especial abaixo do meu estômago. Bem ali onde o sangue pulsou em resposta e cutucou a perna dela. No mesmo instante ela gemeu de desejo e se apertou ainda mais sobre o m****o.
- Oh, Nessie - foi o único som que consegui emitir, minha respiração estava muito pesada.
Deixei sua boca e comecei a traçar uma linha de beijos molhados em seu pescoço, ombro, até chegar ao colo, ardendo de desejo toda vez que a ouvia arfar.
- Faça isso - sussurrou ela.
Quase perguntei sobre o que ela estava se referindo, mas o aperto que ela me deu e a pressão de seus s***s contra mim me deram a resposta.
Imediatamente procurei o fecho do sutiã em suas costas nuas, mas meus dedos eram longos demais e nós dois estávamos num desespero terrível, então arrebentei aquela peça também, jogando-a na água. A ergui na minha frente, ainda mantendo suas coxas firmes em volta da minha cintura. Ela agarrou meu pescoço enquanto eu praticamente devorava com os olhos seu tronco nu. Lindo demais. Ela percebeu o ardor em meus olhos e voltou a me beijar com vontade, como eu estava faminto e necessitado dela, a satisfiz de imediato.
Enquanto a sustentava com um braço, minha outra mão subiu de sua panturrilha, coxa, nádega, cintura até se agarrar a um de seus s***s. Cambia perfeitamente. Mas só sentir a maciez daquela parte íntima do seu corpo com a mão não era suficiente, então larguei sua boca feroz e ergui seu corpo para cima, trazendo o seio até meus lábios, doido para sentir a sensação e o gosto que teria. Renesmee gemia loucamente agora, enquanto eu brincava com a língua em seu mamilo e apertava delicadamente ao redor com os dedos, sentindo ficar cada vez mais intumescido em meus lábios.
A sensação de tê-la em meus braços me deixava cada vez mais com a respiração rápida e ofegante de uma necessidade que ela não tinha como compreender, eu achava que poderia explodir.
Eu era puro prazer e ela era tudo o que eu queria.
De repente um barulho ensurdecedor nos interrompeu, vindo do celular de Renesmee que estava em cima de uma rocha, o som insuportavelmente aumentado pelo eco da caverna.
- Mas que inferno - disse ela, com raiva.
Renesmee pulou de volta ao lago, o rosto assustado.
- Atenda isso antes que eu quebre esse aparelho.
Ela nadou rapidamente até a margem e pegou o celular. Fiquei observando suas costas nuas e a calça jeans ensopada enquanto a água gelada em volta de mim acalmava meus músculos latejantes. Foi muito difícil, achei que precisaria mergulhar a cabeça inteira.
- Carlisle? - disse ela baixinho. - Sim, ele está comigo… Não, não estamos longe… Ok, chegaremos aí em cinco minutos.
Droga, o que foi agora?
Nessie se virou com os braços cobrindo os s***s de forma tímida. Pelo amor de Deus, eu estava por um fio de relaxar, agora precisava começar tudo de novo.
- Temos que voltar. Mia acordou e exige falar com você imediatamente.