A despedida

758 Words
_ Oi pai chegou cedo hoje, eu acabei de preparar um bolo com chá, vamos comer enquanto está tudo quentinho? _ Vamos sim, minha filha, hoje o sol está mais forte e me senti muito cansado, pedi ao Seu Juan que me liberasse mais cedo, até falei que amanhã chegava mais cedo, mas ele não aceitou. Temos muita sorte de estarmos perto de pessoas tão boas e que nos ajudam tanto, não é minha filha? _ Na verdade pai, eu é que tenho sorte de ter o senhor ao meu lado, não sei o que faria sem você. _ É por isso que eu quero que você estude muito, esse era o sonho da sua mãe, e o meu também. Ande sempre no caminho do bem, mas não seja muito ingênua, pois sempre existe as pessoas más no mundo, mas o mais importante minha filha, seja feliz e esteja com quem lhe faz feliz, sempre. Amanda tinha muito amor pelo seu pai, ela tinha recém-completado dezessete anos, mas o Senhor Bernardo, o seu pai já era um homem mais velho, trabalhou a vida toda no campo e se casou tarde, mas amou intensamente a sua querida Elisa até os últimos dias da sua vida, quando um câncer a levou deixando pai e filha para se fortalecerem. Os estudos eram o foco da menina, ela cuidava da casa desde muito cedo, mas adorava, pois, deixava o ambiente mais alegre e isso sempre deixava o seu pai feliz. Ele costumava trazer flores que recolhia pelo caminho, nem que fosse apenas uma haste, assim a casa estaria sempre alegre, e a flor era uma oferenda a sua Elisa. Após o jantar, ainda conversaram sobre os acontecimentos do dia, seja da escola, ou do comércio local e arrumaram-se para dormir. Em algum momento da noite Amanda teve a impressão de ouvir algum barulho como que dizendo “Ui”, mas não deu muita atenção, pois estava no meio da madrugada. Na manhã seguinte após a higiene, preparou o café de costume e achou estranho o seu pai não estar pronto para mais um dia de trabalho, e quando abriu a porta do seu quarto o encontrou na cama com a mão direita sobre o peito e com o olhar perdido no teto do quarto. _ Pai, isso não são horas de brincadeira, o senhor precisa se arrumar e se alimentar para o trabalho, e eu tenho escola. Anda Senhor Bernardo, deixa de gracinha ... A voz de Amanda estava ficando mais grave conforme se aproximava da cama de seu pai, ele estava imóvel, e o corpo dela estava em alerta, como se a preparando para o que estava para ser constatado. Ela segurou na mão gelada de seu velho pai, fechou os seus olhos e se deitou ao lado do corpo já sem vida chorando: _ Pai, não faz isso comigo, o senhor prometeu que não me deixar sozinha, só faltam seis meses para eu terminar o colégio, por favor volta para mim, por favor me pai. Deus, não tira o meu pai de mim, por favor, ele é o meu protetor, eu não posso aguentar, por favor. O desespero de Amanda chamou a atenção dos vizinhos que a chamaram para entender o que havia acontecido, assim chamaram ambulância, polícia e o Senhor Juan, o chefe a quem o pai de Amanda foi amigo e funcionário por longos anos, mas todos sabiam o que havia ocorrido, apenas a filha estava muito abalada para entender, ou não queria entender de maneira alguma. Não havia nada mais a ser feito, um infarto fulminante tirou a vida de seu pai, a não ser chamar os familiares, mas após a morte da mãe e devido à avançada idade do pai, ela sabia apenas da existência do seu tio, irmão mais novo do seu pai e que o via apenas no velório da sua mãe. O pai não costumava falar do seu irmão Claudio, mas as poucas vezes que ouviu o nome do tio, sentiu um certo descontentamento na voz do pai. O que houve entre eles para nunca mais se falarem? Será que ainda estava vivo? Por gratidão ao tempo que trabalharam juntos, pela amizade e por toda a ajuda de sempre, o chefe arcaria com todas as custas do velório e com tudo o necessário, Amanda buscou na documentação qualquer informação que pudesse ajudar a localizar o tio, e assim, Claudio foi informado que Bernardo havia morrido e que o velório ocorreria durante a noite para o enterro seria na manhã do dia seguinte.
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