Capítulo 3

765 Words
LÍVIA DUARTE O caminho até a casa de Kimi foi tranquilo. Bati na porta e ela abriu animada. - Ainda bem que você chegou. Estou cozinhando seu prato preferido. - Falou sorrindo e me abraçando. - Sério?? Você fez lasanha? - Com direito a batata palha e arroz. Vem, vamos decidir qual filme assistir enquanto eu termino o jantar. - Sentei no balcão da cozinha e kimi colocou a lasanha no forno. - Você conseguiu fazer sua prova? - Perguntei. - Consegui. O professor me olhou de cara feia, mas me deixou entrar. - É muito estranho saber que existe um professor que não gosta de você. - Brinquei. - E ele é o único. Os outros professores me amam. Eu sou a melhor aluna. - Falou se gabando. - Quanta modéstia. - Só digo verdades. - Nós duas rimos. - E quando esse jantar vai ficar pronto. Estou morrendo de fome? - Você sempre tá com fome Lili. - Não tenho culpa, meu metabolismo é muito acelerado. - Tá certo dragãozinho, vamos te alimentar então. Kimi serviu nossos pratos e sentamos no sofá em frente à televisão. - Qual filme vamos assistir? - Perguntei. - Não sei, vamos fazer o teste dos 10 minutos. O teste dos 10 minutos consistia em assistir o filme por 10 minutos, se ficássemos curiosas pra saber a continuação continuávamos assistindo, mas se ficasse entediante escolhíamos outro filme. Acabamos assistindo Alitta Anjo de Combate. Na metade do filme eu deitei no colo de Kimi e ela ficou brincando com o meu cabelo. Se fosse qualquer outra pessoa eu não deixaria, mas o carinho da minha amiga era o melhor. Aos poucos fui ficando sonolenta e não demorou muito para meus olhos se fecharem. YANA KIMI Na metade do filme Lili dormiu no meu colo. Seu cabelo era tão macio e cheiroso. Sua boca estava levemente aberta e ela balbuciava pequenos sons. Parecia uma gatinha dormindo. Eu aproveitava aquele momento para olhá-la com mais atenção. Sua pele branca contrastava com seus cabelos negros e curtos. Ela tinha a boca pequena e nariz afilado. Passei minha mão em seu rosto sentindo sua pele macia e delicada. Lili era mais baixa do que eu e quase sempre se jogava em meus braços como se não pesasse nada, ela gostava de se empendurar em mim e depois ria da situação. Eu nunca deixei ela cair, era mais alta e mais forte também. Meus extintos sempre foram de proteção em relação a minha amiga e isso ficava muito evidente quando eu estava com ciúmes. Quando o filme acabou, peguei Lili no colo e a levei até a minha cama. Ela estava dopada e, provavelmente, só acordaria amanhã. Deitei ao seu lado e ela se aconchegou em meus braços. Essa era nossa posição favorita. Lili já tinha dormido na minha casa milhares de vezes e eu também dormia na sua. Tínhamos uma conexão. Nos conhecíamos tão bem que até falávamos juntas as vezes. Ela me completava e me fazia rir. Era sempre assim, quando estávamos juntas o sorriso saía fácil e eu queria sempre fazê-la feliz. - Diferente do dia anterior, levantei cedo e preparei o café da manhã. Eu era boa na cozinha e Lili adorava minha comida. Preparei panquecas e calda de chocolate. Fiz o café e coloquei em duas canecas. - Você acordou cedo. - Lili entrou na cozinha. - Não consegui voltar a dormir. - Falei. - Não sei como consegue dormir tarde e acordar cedo. - É o meu organismo, ele já está acostumado. - Falei sentando na cadeira e Lili me imitou. - Adoro suas panquecas. - Ela colocou um pedaço na boca e gemeu em aprovação. - Isso tá perfeito. - Obrigada. Você quer carona? - Você não vai se atrasar? - Perguntou. - Não, hoje só tenho aula no terceiro tempo. - Já que é assim, eu aceito a carona. - Que bom, porque é perigoso andar de ônibus. - Eu tomo cuidado. - Eu sei, mas eu me preocupo. - Você sempre preocupada com minha segurança. - Não quero que nada te aconteça. Lili levantou do seu lugar e me abraçou. - Você é a melhor. - Falou sorrindo e eu não conseguia parar de sorrir também. - Agora, vou comer todas essas panquecas porque não quero estragar comida. - É só por isso mesmo? - Brinquei. - Não, eu estou morrendo de fome. - Me conta uma novidade. Lili me mostrou a língua e continuou comendo. Eu nunca me cansaria de observá-la. Não importa se fosse comendo ou dormindo. Ela ficava linda fazendo qualquer coisa.
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