Mago narrando Depois que deixei a Natalie na casa dela, meti o pé pra minha goma. Eu só queria uma coisa: dormir. Descansar pelo menos um pouco antes de ir buscar ela pra gente sair. Ontem eu mostrei pra ela o restaurante lá perto da orla; hoje, ia levar pra conhecer minha boate. Mostrar meu mundo. Mostrar que eu não era só crime, arma e corre. Eu tinha construído coisas, tinha plano B, C e D, porque no nosso meio a gente aprende rápido: tudo que começa errado tem grande chance de terminar pior. E cedo ou tarde, a bota sempre aperta no pé. Por isso eu investi. Restaurante, boate, salão, estacionamento… tudo espalhado pela cidade. E claro, servia pra lavar dinheiro também, mas pra isso eu tinha um contador brabo. O cara transformava sujeira em nota limpa como quem dobra roupa recém-lavad

