Verônica narrando Era como se tudo o que estivesse acontecendo ali naquele momento fosse um sonho. Um daqueles sonhos bons demais pra serem verdade, que a gente fica esperando o susto final. Eu tinha a sensação constante de que, a qualquer instante, eu ia acordar com o Índio me olhando sério, dizendo que a gente não tinha nada, que ele sempre avisou que nunca teria nada comigo. Esse medo não saía do meu peito, mesmo com ele ali, tão perto, tão real. Depois que subimos pro meu quarto, ajudei ele a tomar banho. Fiz tudo com cuidado, cada movimento calculado, porque os pontos estavam visivelmente irritados. Aquilo me deixou nervosa. Ele não devia estar ali em pé, andando, muito menos fazendo esforço. Era pra estar no posto, deitado, quieto, obedecendo ordem médica. Mas o Índio nunca foi bom

