VERÔNICA NARRANDO A mão dele no meu rosto queimava. Queimava porque era real. Porque era perto demais. Porque era bom demais pra ser verdade. Eu ainda estava ajoelhada no chão do banheiro, com o gosto amargo na boca e o corpo inteiro tremendo. E ele ali, na minha frente, me olhando como se tudo que importasse no mundo estivesse acontecendo agora. — Eu tô aqui. Com você. — ele disse. Aquelas palavras eram perigosas. Eram bonitas demais pra quem sempre me deixou no quase. Meu coração queria acreditar. Mas minha cabeça gritava para correr. Eu respirei fundo, engoli o choro, limpei a boca com as costas da mão e me afastei um pouco, ainda de joelhos. Ele fez menção de se aproximar, mas eu subi a mão, criando um espaço entre nós. — Não… — minha voz saiu falha. — Índio… você não prec

