LUNA NARRANDO
Ter ele tão perto de mim assim me deixou desconcertada. Eu sei que não deveria, ele e aquela mulherzinha dele me fizeram muito m*l, mas eu não consigo deixar de sentir alguma coisa por ele. Eu preciso tirar ele o quanto antes de dentro desse presídio, não posso ter todo esse contato com ele.
Entro no meu carro e volto para o morro. Hoje vai ter uma social em uma balada, e as meninas me chamaram para ir. A Sofia e a Helena estão super animadas, mas a Bia nunca adianta chamar, ela nunca vai. Acho estranho ela ter se afastado tanto de mim depois que se juntou ao Richardson. Aliás, ela se afastou de todo mundo, e sempre que eu a vejo com ele, seu semblante é de medo e ela está sempre triste. Eu nunca a vi sorrindo, e todos nós sabemos que ele a trai, mas aqui ninguém fala nada. A gente já tentou ajudar ela, mas ela se recusa a ser ajudada. O pior é que ela não sofre sozinha; o Enzo sofre tanto quanto ela. Ele n**a, mas todos sabemos que ele é obcecado por ela.
— Como foi lá? — Sofia me pergunta assim que entro em sua casa.
— Oi para você também, Sofia — falo, e ela ri.
— Ai, vamos direto ao assunto. Sentiu alguma coisa por ele? — Helena pergunta, e eu confirmo.
— Senti o mesmo ódio que tinha por ele, e adivinha só, a vontade de matar aquele infeliz ainda não passou.
— Sabe que o ódio e o amor andam lado a lado, né?
— Não nesse caso, Helena. Você sabe muito bem que o Arcanjo só me fez m*l.
— Eu ainda acho que tudo aquilo foi armação da cobra da Reilaine, mas nem você nem ele estão prontos para essa conversa — ela fala, e eu reviro os olhos.
— Vamos nos arrumar, porque eu quero chegar cedo para vir embora cedo. Amanhã eu tenho que ir na delegacia de manhã para ver o caso do perigo — falo, e elas confirmam sorrindo. As meninas nunca perderam o contato com o Arcanjo. Antes da nossa separação, era todo mundo unido: eu e o Arcanjo, Enzo e a Bia, o Rodrigo também sempre esteve aqui no morro, e a Sofia mais a Helena eram um grude. Foi bom aquela época, confesso, mas nada que me faça querer voltar no tempo.
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Termino de me arrumar, e as meninas também já estão finalizando. O clima do Rio hoje à noite pediu algo mais quente. Coloquei um vestido de manga longa colado preto, no ombro direito ele é aberto. Coloquei uma bota preta com um salto baixo, passo perfume e pego uma bolsa prata. Coloco meu celular e estou pronta.
— Vamos? — chamo elas, que sorriem.
— Uiiii, ela está para o crime hoje — elas falam, e eu sorrio. Diferente de mim, as duas seguiram a vida do crime. Se você acha que eu toco o terror, é porque não viu essas duas na atividade. A Bia também era da ativa, mas como eu disse, muitas coisas mudaram depois que ela casou. Eu não sei o que é, mas eu sei que vou descobrir o que ele faz com ela.
— Vocês parem de gracinhas, sabem muito bem que sempre que vou nas baladas nunca consigo nada com ninguém — falo, e elas concordam.
— Isso é até estranho porque linda e inteligente você é.
— Vai ver que é o tio e o Enzo que pagam para matar quem se aproximar de você.
— Não duvido, mas acho que eles não chegariam a esse ponto. Minha mãe sempre me defende deles — falo, e elas riem.
— Isso é verdade — as duas falam juntas.
— Tá, mas vamos logo porque eu trabalho cedo amanhã — falo, e saio dali rindo com elas. Descemos o morro na velocidade do flash. O bom das meninas é que a ficha delas é limpa, o que torna tudo mais fácil.
Chegamos na balada e eu sinto como se estivesse sendo vigiada. Olho ao redor, mas não vejo nada estranho. Talvez seja só coisa da minha cabeça. Entro na balada e está lotada. A gente já vai direto para o bar e pegamos bebida. Vamos para a pista e começamos a dançar horrores, até que as bonitas me abandonam para ficar com os machos delas, é sempre assim.
Vou até uma mesa e sento ali, fico olhando o movimento até ver algo estranho. Tem dois homens me encarando, como se estivessem de guarda. Ao verem que eu os encaro, disfarçam. Me levanto e vou até um rapaz que está sozinho, vamos ver se realmente eles estão de vigia.
— Ai, desculpa — finjo esbarrar no rapaz, que me olha simpático e me dá um sorriso.
— Está tudo bem, é nova aqui? — ele pergunta, e eu n**o.
— Vez ou outra venho por aqui — falo, e ele sorri.
— Como pode ter passado despercebida por mim com essa beleza — dou um sorriso tímido para ele e começamos a conversar. Depois de muita conversa, a gente foi para um canto mais reservado e mais escuro também, mas quando ele vai me beijar, os dois brutamontes aparecem.
— Ai, playboy, vai caçar outra, essa não é para o teu bico — um deles fala e mostra a arma. Eu não acredito, na mesma hora ele sai e eu os encaro.
— De quem vocês seguem a ordem? — pergunto, e eles negam.
— A gente não pode falar, mas para o bem dos homens, Luna, acho bom você não sair para ficar de paquera.
— Senão o quê?
— Temos ordem para matar quem quer que seja que encostar em você, e é bom saber que não estamos de brincadeira.
— Foi o meu pai, né? — pergunto, e eles negam.
— A gente só segue ordens, não estamos aqui para contar quem nos contratou.
— Vai me dizer então que o Arcanjo não tem nada a ver com isso? Ele mesmo me falou que estaria de olho nos meus passos — jogo um verde.
— É bom tomar cuidado, ele não está para brincadeira — bingo.
— Então realmente foi ele? — dou um sorriso — Avisa o chefe de vocês que ele precisa superar o passado, eu jamais vou ser dele.
— Se não for dele, eu garanto que não vai sobrar homem para você. Te aconselho, Luna, a ir embora — olho com ódio para eles e saio dali. Ah, mas ele vai me pagar por isso, vai mesmo. Me aguarde, Arcanjo, você esqueceu como eu sou de verdade.
— Vai aonde, Luna? — Sofia pergunta.
— Peguem um táxi, eu vou voltar para casa, depois eu explico — ela apenas concorda e eu saio dali indo direto para casa. Amanhã eu vou marcar uma nova visita para o Arcanjo, e eu quero uma explicação, e eu espero que ele tenha uma.
Ao chegar no morro, abaixo os vidros e passo em frente à casa da Bia. Me dá vontade de ir lá, eu até paro o carro, mas desisto. Ela deve ter seus motivos para se esquivar assim da gente. Ligo o carro, mas escuto um grito.
— PARA, RICHARDSON, POR FAVOR, PARA!
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