Zóio narrando Tava na boca terminando de resolver as paradas do dia. Movimento tava daquele jeito: rádio chiando sem parar, vapor indo e vindo, gente colando pra buscar mercadoria, outros trazendo dinheiro… rotina de sempre. Mas, diferente dos outros dias, minha cabeça não tava cem por cento ali. Eu tava pensando. Calculando. Porque tudo que eu faço agora precisa ser no tempo certo. Sem erro. Sem vacilo. Porque eu não tô jogando pra sobreviver… eu tô jogando pra ganhar. Encostei no balcão, conferindo a grana que tinha acabado de chegar de uma das vendas. Separei, organizei, passei a visão pro menor que tava comigo e mandei ele guardar. — Fica ligeiro nisso aí — falei, sério. — Pode pá, Zóio. Passei a mão no rosto e peguei meu radinho, ouvindo só o chiado baixo. Nada de importante na

