Amélia Narrando:
O prédio onde era localizado a Angel’s Company tinha quatorze andares, era um dos prédios mais bonitos em Boston e um dos mais famosos, o local da entrevista era no décimo segundo andar e o que me chamou a atenção foi que eu era a única ali aguardando para ser chamada, isso não demorou muito pois a porta em minha frente se abriu e um homem de cabelos pre.tos surgiu, com um sorriso simpático em seu rosto ele leu a folha em sua mão que julguei ser meu currículo impresso.
— Amélia Albrecht? — Ele me olha esperando que eu confirme.
— Sou eu! — Sorri me levantando e então estendi a mão para poder o cumprimentar de forma adequada.
— Prazer em conhecê-la, me chamo Aaron sou um dos sócios da empresa. — Ele diz segurando a minha mão. — Venha, entre por favor!
— Com licença! — Falei entrando na sala e me sentando na cadeira em frente ao lugar dele.
— Bem, eu avaliei o seu currículo e vi que você se formou em administração na Universidade de Boston. — Ele diz. — É difícil encontrar vagas nessa área, não é? Eu também demorei muito para conseguir trabalhar na área administrativa.
— Ah sim, está sendo um pouco difícil, mas estou aberta para oportunidades em outras áreas. — Falei.
— Eu entendo, eu comecei lavando pratos em uma lanchonete. — Ele diz rindo. — Muitos aqui nasceram com muito privilégios e bem, eu tive uma pequena ajuda por ser amigo de infância do dono. — Ele comenta. — Mas até conseguir trabalhar aqui e me tornar sócio, tive que me virar em outras áreas.
— Nossa, você não tem cara de quem lavava pratos. — Falei um tanto impressionada.
— É eu sei. — Ele diz rindo. — Mas voltando ao nosso foco, o seu currículo é excelente e você tem o perfil da nossa empresa. — Ele diz e isso me anima. — Tomei a liberdade de entrar em contato com sua antiga chefe e ela só disse elogios sobre você.
— A senhora Oliver sempre foi muito querida. — Falei de forma sincera.
— Amélia, eu ficarei muito feliz em lhe contratar, mas devo te informar algumas coisas sobre essa vaga. — Ele me olha sério e percebo que está nervoso. — Você vai trabalhar diretamente com o dono da Angel’s Company, o Dominic é um tanto difícil de lidar e isso nos custou muitas garotas desistindo de trabalhar com ele.
— Difícil de lidar?
— Bem, como posso lhe explicar, ele tem um gênio um pouco forte e isso pode o tornar um tanto quanto insuportável de trabalhar, mas estamos desesperados. — Ele diz e pelo seu tom de voz parecia que ele estava morrendo de medo que eu desistisse. — Aumentamos o salário da vaga para tentar conseguir alguém que não desista.
— Deixa eu adivinhar. — Falei. — Ele é um herdeiro que nasceu podre de rico e é um mesquinho que quer tudo na hora que ele quer, do jeito dele e é mimado.
— Bem, ele é meu melhor amigo desde criança e também seria antiético. — Ele começa a diminuir seu tom de voz. — Mas é exatamente isso que você acabou de descrever.
— Um rico mimado não vai me fazer desistir dessa vaga. — Falei. — Vocês pagam muito bem e eu já lidei com riquinhos mimados.
— Isso quer dizer que você quer a vaga? — Aaron diz com um brilho nos olhos.
— Só se quiser me contratar. — Dei de ombros.
— A vaga é sua! Está contratada! — Ele diz animado. — Você começa na segunda, esteja aqui às oito horas, vá direto para o décimo quarto andar e caso de qualquer dúvida mande para este número. — Ele me estendeu um cartão. — É o meu número comercial, para caso você precise tirar alguma dúvida sobre a vaga até o seu primeiro dia.
— Ah, obrigado. — Peguei o cartão.
— Vamos te dar o contrato de experiência para assinar na segunda e vamos providenciar uma conta no banco da empresa para que receba seu salário. — Ele me explica. — Não temos uma regra que cobre vestimentas, mas sempre use algo formal e nada muito colorido.
— Certo, irei lembrar disso. — Falei acenando com a cabeça.
— Então está tudo certo! — Ele se levanta de sua cadeira e eu me levanto rapidamente da minha. — Seja bem-vinda a Angel’s Company!
— Eu agradeço pela oportunidade. — Falei e ele me dá mais um aperto de mão.
— Aguardo você na segunda para te mostrar seu trabalho.
— Está bem, tenha um bom dia e até segunda! — Falei abrindo a porta para ir embora.
— Para você também Amélia! Até Segunda!
Deixo a sala da entrevista e caminho até o elevador que não demora para chegar no meu andar, ao entrar no elevador vejo um homem alto e loiro que mexia no celular, ele digitava rapidamente e então olho para o monitor de botões para apertar o botão do térreo, o elevador começa a descer novamente e quando passamos pelo quinto andar é quando ele nota minha presença dentro do elevador.
— Você é nova por aqui? — Ele me pergunta em um tom de voz baixo que deixava sua voz um pouco rouca. — Veio posar para as fotos?
— Perdão, o que perguntou? — O olhei confusa, eu não pretendia trocar nem meia palavra com ele.
— Você é modelo, não é? — Ele pergunta me olhando dos pés a cabeça. — Bonita assim, só pode ser modelo. —- Ele sorri, qual o problema desse cara? —- O que acha de me passar seu número para a gente marcar algo, hm? Um jantar?
— Você costuma dar em cima de todas as mulheres em um elevador? — Pergunto e não dou tempo para que ele me responda. —- E eu não vou meu número para estranhos e muito menos sair com alguém depois deste flerte horrível!
— Flerte horrível? — Ele dá uma risadinha. — Isso nunca falhou!
— Ah, entendi! Você está acostumado com essas garotas que se impressionam com um flerte fraco! — A porta do elevador se abre e é o meu andar. — Sinto muito, mas eu não me impressiono com flerte barato.
Ele me olha com uma cara intrigada e não dou mais atenção a ele, saí do elevador caminhando em direção a porta principal, somente escuto o barulho do elevador fechando as portas e nem olhei para trás.
Que cara maluco! Esses homens acham que todas as mulheres se impressionam com as mesmas coisas, espera não tombar mais com ele dentro daquela empresa para que ele não tentasse novamente e eu não me prejudicasse. Mas acabo esquecendo isso e lembro que agora eu tinha um emprego, estava ansiosa para falar a novidade para Camilla. Então peguei um ônibus, agradecendo que o ponto do ônibus era ali pertinho e então fui para o apartamento.