Miragem ou dadiva dos deuses? II

2235 Words
– Na época que ainda éramos humanos, apesar das condições e das dificuldades que encontrávamos sempre fomos uma família unida. Mesmo depois que transformamos em imortais. – Ela abriu um sorriso brincando em seus lábios. – Vocês já devem saber, mas antes da nossa familia entrar no poder. O meu sobrenome, o de Simon e o de Antônio é Cabello. Por mais que sabia que os Estrabão faziam parte da familia de Camila, não consegui conter a surpresa diante da revelação saindo da própria rainha. – Adotamos o sobrenome Estrabão depois de nos tornarmos realeza que também é um de nossos nomes, achamos ele mais forte e optamos pelo mesmo. Camila e Christopher queriam continuar a usar seu sobrenome, porém sem se envolver no nosso mundo de reinado. Mesmo assim as palavras dos dois são as finais. Era meio estranho de se ver que os reis não eram realmente aqueles que governavam o nosso mundo e sim Camila juntamente com seu irmão que por baixo dos panos eram quem comandavam nosso mundo quando necessário. Eu me perguntava o que aconteceria no mundo vampírico se soubessem disso tudo. Talvez, minha família devia se sentir honrado por sermos os únicos além dos Estrabão, a saber, da verdade, mas eu não me sentia assim. Não gostava de imaginar Camila em algum perigo se alguém descobrisse isso. Agora eu também entendia o fato de Camila não ser uma Estrabão. Eu conheci seu jeito e sei muito bem que ela gosta de fingir que é só mais uma vampira entre as centenas que existem por ai pelo mundo do que a rainha de um tabuleiro de xadrez. – Voltando, na época em que éramos humanos. Christopher e Camila tinham um tio por parte de mãe que até então não passava a imagem de que foi só mais uma pessoa que fazia parte da nossa família. Tirando o fato de Camila nunca esconder que não gostava dele e eu também tinha meus motivos em não me sentir bem presente no mesmo ambiente que o mesmo. Além de mim só Marcus e Alejandro, pai de Christopher e Camila, sabiam que Zayn tinha uma certa obsessão por minha pessoa. Quase engasguei se isso fosse possível, o Zayn que era obcecado por Laura era o mesmo Zayn que supostamente matou Camila cinco anos atrás. O próprio tio de Camila. – Eu não posso acreditar! – Disse meio em choque. Laura piscou os olhos como se voltasse ao mundo real e deu um sorrisinho fraco. – O que foi, minha filha? – Meu pai estava preocupado com a minha reação. – Sua filha só descobriu quem está por trás de tudo o que aconteceu com Mila cinco anos atrás. – Ela respondeu. Agora tudo fazia sentido. Zayn já sabia quem era Camila e sua importância para os vampiros. Vendo tudo na mente de Laura, Zayn sempre quis o poder do mundo vampiro em suas mãos, para ele não seria difícil destroçar os Estrabão's, sendo que até alguns anos atrás ele tinha aliados o suficiente para travar uma guerra contra os reis e uma chance de vencer, mas nunca isso funcionaria se Camila estivesse em seu caminho. Zayn provavelmente sabia sobre Camila e sabia que precisava tirar ela do seu caminho se não jamais conseguiria o poder que tanto ansiava. Uma prova disso foi que Camila dizimou sozinha mais da metade dos vampiros que ele tinha como aliados. Ninguém e nenhum vampiro teria tal força para fazer o que ela fez. Com certeza, Camila era o ser mais poderoso do mundo. Senti orgulho e respeito por minha mulher, porém mesmo ela conseguindo acabar com qualquer um. Eu não conseguiria ser menos protetora e deixá-la sozinha para enfrentar quem fosse. Laura relatou para meus pais que Zayn era tio de Camila e sequestrou-a por causa da sua obsessão, mantendo-a prisioneira durante todos esses milênios. Mas diferente do amor, sua obsessão fazia com que Laura fizesse suas vontades e satisfizesse seus desejos. Me senti m*l, pois Laura sofreu muito durante esse tempo todo e mesmo que não demonstrasse fisicamente, mas emocionalmente tudo o que ela passou acabou com ela. Não sei ao certo o quão grande foram os estragos e como marcariam para sempre nela, mas sentia um grande respeito por essa vampira se erguer e continuar forte. Pelo visto esse Zayn tinha sede de poder e não mediria esforçar para acabar nem mesmo com aqueles que fazem parte da sua família. Ela relatou porque Zayn queria acabar com Camila e só perdeu o controle da situação. Quando descobriu que Laura conseguiu escapar das suas mãos graças a sua sobrinha. Isso fez com que ele atacasse sem raciocinar direito. E como vingança pegou aquilo que era mais importante para Mila: Sofi. Fiquei surpresa que Machine estava do lado de Laura naquela época, ele nunca relatou isso. E provavelmente não ia falar nada mesmo, já que nunca a encontrou depois daquele dia. Palavras dela. Não sei se foi bom isso, mas Zayn não raciocinou e arquitetou um plano certo para acabar com Camila. Só que uma coisa ainda não entrava na minha cabeça. Camila, não morreu. Ok. Mas um vampiro de certo modo conseguiu isso, se não fosse por Laura entrar escondida por algum esconderijo pela casa e tirasse Camila de lá segundos após dos vampiros terem saído da casa e atacado fogo no lugar, meu amor não estaria viva. Seria eternamente grata por Laura, deveria ser eu a salvá-la e me culpo até hoje por isso, por mais que todos tentassem dizer que eu estava sendo insana, não conseguia evitar a culpa. Eu não fui forte o suficiente para protegê-la. Balancei a cabeça tentando tirar esses pensamentos, agora não era hora de ocupar minha mente com isso. Tinha coisas mais importantes. Como o fato de que ninguém do lado do Zayn sabia que Camila estava viva, isso era a nossa maior vantagem e de preferencia deveria continuar assim até estarmos dois passos a frente deles. Mas o que não entendi até agora. Foi como alguém capaz de derrotar Camila, sempre soube que tinha algo errado afinal, quando vi “matando-a”, ela não fez nenhum esforço para lutar contra. Por último como ela conseguiu perder a memória? – Esse Zayn é tão poderoso assim que foi capaz de acabar com Camila? – Boa pai, você perguntou exatamente uma das questões que não saia da minha cabeça. Christopher riu alto. – Zayn pode ser um bom rastreador e ter muitos anos de vida que o tornaram experiente, mas ele é tão vampiro normal como qualquer um por ai. – Chris respondeu ainda rindo. “Vampiro normal” se referia ser um vampiro fraco perto dele ou de Camila. Chris ficou sério de repente, vendo que nenhum de nós achávamos graça da sua explicação. – Não foi Zayn que conseguiu fazer aquilo com Camila. – E agora eu entendi assim como todos da minha familia que Zayn não foi o causador da breve morte de Camila e também da perda de memória dela. – Mas como? Eu estava lá, vi ele encarando o corpo de Camila no chão. – Não pude conter a raiva das minhas palavras. – Só que não foi ele quem acabou com ela. – Ele encarou a todos. – Existem apenas duas pessoas nesse mundo que pode acabar com Camila sem esforço nenhum. E dentro dela não estou incluso, já que teríamos que lutar bravamente para conseguir alguma vitória. Porra, existem pessoas que é capaz de enfrentar Camila. Não, isso não é possível. Novamente eles estavam loucos. Alguém derrotar Camila sem esforço. Definitivamente não sabiam o que estavam falando. – Quem são? – Meu pai perguntou confuso. Ele estava mesmo acreditando naquela palhaçada? – Uma vocês já conhecem. – Chris falou sorrindo olhando para Sofi. Ah, agora fazia sentido. Confesso que foi e******o não ter pensado nesse detalhe. Era obvio que Camila jamais levantaria um dedo contra sua própria filha. Todos sabiam o quão poderoso era o instinto maternal dela. Me senti como uma i****a agora, achando-os loucos, sendo que Chris estava completamente certo. – Claro. – Mani sorriu. – E quem seria o outro vampiro? Será que existia algum vampiro tão importante na vida de Camila a ponto dela não enfrentá-lo. Senti um ciúmes tão grande e a odeio assumir meus sentimentos. Se nem Chris era capaz de fazer Camila se importar desse jeito, eu provavelmente não seria diferente. Mas se existia um vampiro. Quem era ele? E a pergunta mais importante o que ele significava para ela? Minha sorte é que ninguém prestava atenção em mim, então não viram meu ciúme. – Não é vampiro e sim vampira. – Diante dessas palavras de Chris, senti minha fúria sumir repentinamente dando lugar para curiosidade. Vampira? Mas quem? Como um click, lembrei-me das últimas palavras que saíram da boca de Camila naquela noite mais sombria da minha existência. – Taylor. – Sussurrei. Chamando a atenção de todos. – A mesma garota que Camila pronunciou seu nome há cinco anos? – Meu pai perguntou se relembrando quando falei para minha família sobre uma tal de Taylor antes de sumir. Chris assentiu respondendo sua pergunta. – Qual a importância dela para Camila? – Mani questionou confusa. – Oh cara, não vai me dizer que a Milinha é mais lésbica ainda? Achei que ela fosse Laurensexual. – Dinah não conseguia ficar bom tempo sem falar idiotices. Mani colocou as mãos na cara, enquanto minha mãe a repreendia com o olhar. Depois eu a mataria. Vi Sofi fechar a cara ficando irritada e nem ao menos deu atenção para ela. – Bom, podemos falar somente se Camila permitir. – Chris respondeu. Tentei vasculhar na mente de todos querendo uma resposta mais detalhada, mas ninguém pensaria ou falaria sem a permissão de Camila. Bufei irritada. – Por que estão fazendo tempestade em copo d’água? – Dinah olhava para a família da Camila, confusa. Tomara que não saia mais nada i****a da sua boca. – Só basta a Camila usar o dom dela que vai se lembrar de tudo ou quase tudo. Não é que ela tinha razão? Só bastava Camz usar seu dom se por acaso ela não tivesse como recuperar as memórias que ela perdeu. Ela pode reimplantá-las através da mente de Sofi e de todos nós para saber como era e o que sentia por cada um de nós. O dom dela era incrível. Ela com certeza conseguiria fazer isso. Eu já estava me animanda com a ideia. – Só tem um problema. – Chris começou cortando todas as minhas esperanças. – Camila também não consegue mais usar seu dom como antes. – Como? – Meu pai perguntou confuso. Christopher suspirou. – Veja, Mila levou mais de século para entender como seu dom funcionava e conseguir controla-los levou mais tempo ainda. Quando Taylor a fez perde as memória ela consequentemente esqueceu como se utiliza seus poderes. É como se apertassem um botão de reset na mente dela e assim começar tudo de novo. – Então ela vai levar mais uns séculos só pra recuperar seu dom? – Depois dessa desanimou. – Talvez sim ou talvez não. Pode ser que ela desenvolva seus dons mais rapidamente já que os usou por milênios. Seu subconsciente pode fazer ela aprender e se aperfeiçoar mais rápido. É a sorte não está exatamente ao nosso favor, mas não tinha o que reclamar. Eu tinha Camz de volta ou quase isso. A magoa não existia, agora entendia porque Camz nunca apareceu antes. Pelas horas a mais que passamos conversando Laura contou como era a nova personalidade de Camz. Pelo que me descreveram a minha Camz não existia mais e me destruiu saber que ninguém contou para ela que eu era sua noiva. As dores e o medo de ser descartada foram muitos, mas todos me apoiaram para não desistir dela. Existia um único jeito de tudo voltar como antes, encontrar essa Taylor e fazer com que ela desbloqueia as memórias de Camila. Sim, Laura explicou que o poder de Taylor era bloquear as memórias e não apagá-las, mas que de certo modo eram a mesma coisa se ela não desbloqueasse. Não entendi como o dom dela podia fazer efeito em Camila, mas se ela tinha um significado na vida da minha vampira. Deve ter algum motivo para conseguir isso. Sem falar que Sofi é a única com conseguia atravessar o escudo mental de Camila com seu dom. Talvez tivesse uma mesma sincronia os dons dela eu ainda não sabia. Só tinha certeza de uma coisa. Eu não desistiria da minha Camz. E lutaria para trazê-la de volta ou seu amor por nós. Eu estava confiante que conseguiria e quando escutei seus passos se aproximando de casa junto com... Ally e Troy? Não entendi o que os dois estavam fazendo com ela, mas ignorei completamente esse detalhe quando vi sua imagem entrando em casa. Não consegui esconder o meu sorriso de apaixonado quando a vi. Ela não olhava para ninguém. Mais a confiança que eu sentia segundo atrás sumiu assim que botei meus olhos em sua mão. Deixando a dor e o desespero me atingir, ali estava a prova que eu tinha certeza que ela não sabia sobre mim. A aliança que dei para ela assim que a pedi em casamento. Já não estava mais no seu dedo anelar esquerdo. Deixando o vazio naquelas pequena e delicada mão, tanto quanto o vazio do meu coração.
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